- Eleição na Hungria resultou na derrota de Viktor Orbán, com a vitória esmagadora do Partido Tisza de Péter Magyar; celebrações surgiram em Budapeste.
- Figuras do setor artístico expressam esperança de maior autonomia institucional e espaço para crítica, com membros como Margit Valkó e János Sugar destacando um possível retorno a normalidade.
- Orbán ficou 16 anos no poder, com críticas à erosão de instituições independentes e aos direitos LGBTQ+, incluindo a demissão de um diretor do Museu Nacional em 2023 após a lei de proteção à criança de 2021.
- O novo governo já sinalizou suspensão da mídia controlada pelo Estado, alvo de críticas de Magyar, que prometeu reduzir o que chamou de “fábrica de mentiras”.
- Artistas veem expectativa de diálogo com a sociedade civil, reconstrução de relações internacionais e maior diversidade e dinamismo na cena cultural independente.
O primeiro-ministro Viktor Orbán foi derrotado em uma vitória retumbante do partido Tisza, liderado por Péter Magyar, em eleições realizadas no fim de semana. O resultado provocou celebrações em Budapeste, com reações de líderes centristas e de esquerda na Europa.
A vitória de Magyar encerra 16 anos de governo de Orbán, conhecido por seu modelo de “democracia iliberal” e por políticas que dividiram a União Europeia. O governo anterior foi criticado por cortes a liberdades, corrupção e restrições aos direitos LGBTQ+. O atual estágio político ainda não definiu claramente impactos sobre a cultura.
Para a cena artística, integrantes destacam possibilidades de maior autonomia institucional e espaço para críticas. Margit Valkó, fundadora da galeria Kisterem, afirma que a comunidade está entre as mais otimistas do momento. O artista János Sugar também expressa alívio e esperança de normalização.
Magyar, também de linha centro-direita e ex-membro do Fidesz, sinalizou medidas contundentes ao assumir o poder, incluindo a suspensão de parte da mídia estatal, alvo de críticas por políticas de desinformação. A mudança leva a questionamentos sobre o futuro da Academy of Arts e de políticas culturais.
Especialistas ponderam que, apesar do ganho de autonomia para instituições culturais, mudanças rápidas dependem de composição parlamentar e da governança futura. O debate envolve como será o equilíbrio entre crítica, financiamento público e independência criativa.
A comunidade artística espera reconstrução de relações internacionais, renovação de mecanismos de diálogo com a sociedade civil e fortalecimento da resiliência do setor independente. Também circula a expectativa de evolução na relação entre arte, instituições públicas e defesa de liberdade de expressão.
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