- Celso Amorim, aos 83 anos, lançou o livro “O Brasil em um Mundo Multipolar”, reunindo seus discursos de 2004 a 2025; o prefácio é assinado pelo ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e a obra foi produzida e financiada pela Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), braço editorial do Itamaraty.
- A tese central defende que o Brasil lidere, junto com o Sul Global, a construção de uma ordem mundial multipolar, baseada em instituições internacionais e não apenas em acordos bilaterais ou força econômica.
- O texto propõe dialogar com todos os países, sem distinção de regime político, e manter distância estratégica do Ocidente, tratando relações com ditaduras como parte do jogo geopolítico.
- O livro é apresentado como resposta ao termo “globalismo”, considerado pelo autor uma teoria conspiratória defendida pela direita; ele afirma ter colaborado com elites globais para reformar a ordem mundial.
- As passagens geram controvérsia ao tratar temas como criticismo à direita, comparação de setores políticos com extrema direita europeia do passado, defesa de governanças de outros países e tratamento equilibrado entre regimes autoritários e democracias.
Celso Amorim, de 83 anos, figura central da diplomacia do governo Lula, lançou em fevereiro o livro O Brasil em um Mundo Multipolar: Conversas com a Academia. A obra reúne discursos proferidos entre 2004 e 2025 em universidades brasileiras e foi produzida e financiada pela Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), o braço editorial do Itamaraty. O prefácio é assinado pelo atual ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
O livro apresenta a tese central defendida por Amorim: o Brasil deve liderar, ao lado do Sul Global, a construção de uma ordem mundial multipolar baseada em instituições internacionais. A proposta privilegia a atuação de organismos como ONU, G20 e BRICS para mediar conflitos e definir regras globais, com maior participação de diversos polos de poder, incluindo a China, a Rússia e o Brasil.
A obra é apresentada como um guia doutrinário sobre a visão internacional do PT, segundo o material promocional da editora. Por tratar-se de uma produção institucional, o conteúdo é visto como voz da diplomacia do governo Lula, com a chancela do Itamaraty.
Diálogo com regimes autocráticos
Entre os temas, o livro defende que o Brasil dialogue com diversos regimes políticos como parte de uma nova geografia mundial. Nessa linha, a cooperação internacional seria priorizada, com menor peso de acordos bilaterais puros e maior referência a instituições multilaterais para mediação de conflitos.
Críticas e controvérsias
O texto contém passagens que geram debates sobre a relação entre direitos humanos e alianças estratégicas. Além disso, o livro aponta divergências com visões que privilegiam o Ocidente, defendendo uma distância estratégica em relação a ele. A obra também aborda críticas à atuação de blocos ocidentais em temas como direitos humanos e políticas regionais.
Contestação ao conceito de globalismo
Defendido como uma ideia associada a uma agenda internacional dominante, o globalismo é apresentado como objeto de contestação. O autor sustenta que a noção é utilizada por setores da direita como uma teoria conspiratória, ao passo que o livro descreve sua própria atuação na construção de instituições globais, segundo o texto.
Conflitos internacionais e visão de democracia
A obra discute o papel de democracias liberais e de regimes autoritários na governança global. Amorim analisa a participação de diferentes regimes em instâncias multilaterais, incluindo conselhos de direitos humanos, com avaliações que variam conforme o regime abordado.
Movimentos geopolíticos e ações brasileiras
O livro faz referência a ações de Brasil e de aliados do Sul Global em mudanças da ordem mundial. Em discussões sobre comércio e soberania, o autor apresenta uma postura crítica a acordos que, segundo ele, favoreceriam políticas de potências desenvolvidas, enquanto afirma ganhos ao ampliar relações com regiões fora do Ocidente.
Contexto institucional
A publicação recebe a chancela institucional do Itamaraty por meio da Funag, o que indica respaldo oficial. Em razão disso, o livro é apresentado dentro do âmbito da gestão de política externa do atual governo, com foco em perspetivas de longo prazo para a atuação brasileira no cenário internacional.
Perguntas sobre impactos
Especialistas avaliam que o conteúdo reflete a linha diplomática do governo em exercício, com ênfase em multilateralismo como eixo estratégico. Analistas ressaltam que a obra oferece leitura sobre a relação entre política externa, alianças globais e estilo de atuação brasileira no cenário internacional.
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