- O Japão planeja reforçar a defesa das rotas marítimas do Pacífico para evitar interrupções nas importações vitais, diante da turbulência econômica provocada pela guerra no Oriente Médio.
- Neste mês será criado um painel de especialistas para discutir mudanças na Estratégia de Segurança Nacional, com o objetivo de incorporar a proteção das rotas do Pacífico como pilar da defesa econômica.
- O país depende fortemente de importações: quase todo o GNL e o carvão vêm de outros países, com destaque para Austrália, Malásia e Indonésia; também depende de importações para cerca de 62% de seu suprimento agrícola e pesqueiro, e de cerca de 90% de grãos para ração animal.
- O plano prevê uso inicial de aeronaves de vigilância e radares baseados em ilhas, já que o Japão não possui monitoramento contínuo do espaço aéreo do Pacífico.
- A iniciativa ocorre em meio ao aumento da atividade marítima da China e à necessidade de cooperação com aliados para proteger a rota do Pacífico Sul até a Austrália, diante possíveis impactos de disputas na região e do fechamento de vias estratégicas como o Estreito de Ormuz.
A ideia de reforçar a defesa das rotas marítimas do Pacífico ganha espaço no Japão. A intenção é evitar interrupções no abastecimento de combustíveis e alimentos provenientes de Austrália, EUA e outros países da região, diante da turbulência econômica ligada ao Oriente Médio.
O governo planeja criar ainda este mês um painel de especialistas para revisar a Estratégia de Segurança Nacional, incorporando a proteção das rotas do Pacífico como pilar da defesa econômica. A revisão deve ficar pronta até o fim do ano.
A mudança ocorre em um momento de atenção ampliar cooperações com aliados para proteger a rota sul do Pacífico, que liga o Japão à Austrália, além de manter a atuação de patrulhas e escoltas com navios das Forças de Autodefesa. O país vem ampliando parcerias com vizinhos da região.
Panorama estratégico
Inicialmente, as medidas envolvem aeronaves de vigilância e radar baseado em ilhas, já que o Japão não dispõe de sistemas que monitorem permanentemente o espaço aéreo do Pacífico. A ideia é ampliar a detecção de atividades no espaço marítimo e aéreo da região.
A possibilidade de Taiwan enfrentar uma crise aumenta a percepção de riscos para a navegação a oeste da chamada segunda cadeia de ilhas, que vai de Izu e Ogasawara até Guam. A defesa dessas rotas passa a ser objeto de planejamento mais detalhado.
Dependência de importações
O Japão depende fortemente de importações para gás natural liquefeito, carvão e alimentos. Em 2025, quase 40% do GNL veio da Austrália, 15% da Malásia; mais de 70% do carvão veio da Austrália em 2024. A Indonésia aparece como fornecedor relevante em parte expressiva dos insumos energéticos.
Quase 90% do trigo, milho e outros grãos também são importados, o que eleva a vulnerabilidade a interrupções. O governo ressalta a importância de diversificar fornecedores e reforçar a vigilância para reduzir riscos de desabastecimento.
Cooperação e capacidades
O Japão já atua com cooperação internacional em segurança marítima, fornecendo navios de patrulha e apoio a países do Sudeste Asiático. A estratégia revisada deverá enfatizar a partilha de responsabilidades com parceiros que fortalecem capacidades de vigilância e escolta.
O governo estuda ampliar ações de Assistência Oficial de Segurança e auxílio ao desenvolvimento para fortalecer cadeias de suprimentos regionais. A finalidade é manter resposta ágil diante de emergências logísticas.
Contexto geopolítico
As discussões ocorrem em meio a tensões regionais, com aumento de atividades da China no Pacífico. Dados do Ministério da Defesa japonês indicam crescimento no número de decolagens e aterrissagens de aeronaves chinesas em porta-aviões, de 320 em 2022 para cerca de 1.460 em 2025.
A avaliação aponta que mudanças na ordem internacional, com maior uso de poder estratégico, podem impactar a navegação em vias internacionais. O Japão busca neutralizar riscos e assegurar passagem segura para seus fluxos comerciais.
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