- Em entrevista ao El País, Lula critica Trump e defende negociações diplomáticas e o multilateralismo para manter a paz.
- Afirmou que Trump joga de forma errada e que usar força econômica ou militar pode prejudicar os EUA; ressaltou a responsabilidade de quem está no poder pela paz.
- Avisou que uma terceira guerra mundial seria tragédia dez vezes maior que a segunda e que o caminho é manter negociações para evitar conflitos.
- Criticou o Conselho de Segurança da ONU e pediu reforma, dizendo que a geopolítica de mil novecentos e quarenta e cinco não vale para dois mil e vinte e seis; citou que, no ano passado, foram gastos US$ 2,7 trilhões em guerras.
- Sobre eleições, Lula afirma acreditar que o bolsonarismo não vencerá e não teme interferência estrangeira; enviou mensagem a Trump sobre maturidade e comentou a situação na Venezuela, dizendo que não seria aceitável EUA governarem o país e que convocaria eleições gerais se fosse vice.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou publicamente Donald Trump e a postura de líderes globais diante de conflitos internacionais, em entrevista ao El País publicada nesta quinta-feira. O tema central foi a busca por paz por meio de negociações diplomáticas e o papel do multilateralismo no cenário atual.
Lula afirmou que a liderança de Trump seria inadequada por usar força econômica e militar, o que, na visão dele, aumenta os problemas para os Estados Unidos. O presidente brasileiro reforçou a necessidade de manter negociações para fortalecer a cooperação internacional, o livre comércio e a democracia.
Ele alertou que uma terceira guerra mundial seria uma tragédia ainda maior que a segunda e destacou que a solução está na responsabilidade de quem governa para evitar conflitos indiscriminados. O entrevistado apontou falhas na forma como as grandes potências têm atuado.
Reforma da ONU e paz mundial
O brasileiro criticou o Conselho de Segurança da ONU por não oferecer mecanismos eficazes para guiar o comportamento das nações. Ressaltou a defesa de uma reforma institucional, afirmando que a geopolítica de 1945 não atende aos desafios de 2026. A entrevista também traz dados sobre gastos em guerras, citando US$ 2,7 trilhões no ano anterior.
Lula argumentou que esse dinheiro poderia ser aplicado para erradicação de fome, melhoria energética global e educação, em especial para reduzir o analfabetismo. O objetivo, segundo ele, é reduzir os instrumentos de disputa entre potências e ampliar a cooperação.
Eleições e desinformação
O presidente comentou a tentativa de interferência de Trump no julgamento político brasileiro, mencionando uma mensagem enviada ao ex-presidente dos EUA sobre a necessidade de maturidade entre governos de duas idades avançadas. Enfatizou que prefere liderar com respeito, não com intimidação, e que não há direito de causar medo.
Ao falar sobre as próximas eleições, Lula disse estar confiante de que o bolsonarismo não voltará ao poder, mesmo com a acentuada polarização. Afirmou que a democracia ainda é a opção preferida pela maior parte da população.
Lula também declarou que não teme ingerência estrangeira nem campanhas de desinformação. Reforçou a obrigação de entregar informações precisas para que o povo possa decidir com base em fatos verificáveis.
Venezuela e região
Sobre a Venezuela, o presidente afirmou que não espera nova intervenção norte-americana na América Latina, classificando-a como uma hipótese absurda. Comentou que seria inaceitável para uma democracia que os EUA tentem governar o país.
Caso fosse vice-presidente venezuelano, Lula disse que convocaria eleições gerais para devolver legitimidade ao processo político. A entrevista aborda ainda o papel dos Estados Unidos na região e os limites da intervenção externa.
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