- Lula disse em entrevista à Der Spiegel que Trump “não foi eleito imperador do mundo” e criticou a postura de Washington de ameaçar outros países com guerra.
- O presidente destacou que conflitos entre grandes potências afetam os mais pobres, elevando a inflação de alimentos na África e na América Latina.
- Ele pediu uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU e afirmou que sugeriu a Xi Jinping, Putin e Macron a convocá-la, mas que não houve resposta; defendeu reforma da ONU para incluir Brasil, Alemanha e representantes do Oriente Médio e da África.
- Sobre as eleições de outubro, Lula disse estar se preparando para a reeleição, afirmou estar em boa forma física e rejeitou oposição, mantendo que respeitará o resultado, se for necessário, ao tempo em que comentou que a ideologia de direita não tem futuro.
- Em Hannover, ele abrirá a feira e comentou a gafe de Merz; sobre Cuba, explicou que não enviou petróleo para proteger a Petrobras e que o apoio brasileiro será com medicamentos, alimentos e ajuda para a independência energética da ilha.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista à Der Spiegel, publicada nesta quinta-feira. Entre temas que repercutiram, ele afirmou que Donald Trump não é imperador do mundo e criticou a abordagem dos EUA em relação a guerras e ameaças entre potências. A fala também apontou para a necessidade de reorganizar a ordem global.
Lula destacou que conflitos promovidos por grandes potências acabam impactando populações pobres, com inflação de alimentos na África e na América Latina. O presidente disse entender que essas consequências devem ser consideradas em debates internacionais e na reforma das instituições globais.
O petista reclamou da falta de diálogo entre as potências e afirmou ter solicitado a Xi Jinping, Vladimir Putin e Emmanuel Macron a convocação de uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU, sem ouvir resposta até o momento. Segundo ele, o mundo está sem liderança clara.
Fundo institucional: ONU e reforma
O presidente defendeu uma reforma profunda da ONU, defendendo a inclusão de novos membros permanentes no Conselho de Segurança, incluindo o Brasil, a Alemanha e representantes do Oriente Médio e da África. Ele questionou a legitimidade dos atuais permanentes diante de arsenais nucleares e de produção de armas.
Sobre a política externa, Lula indicou que a ordem global requer mudanças, com maior participação de países emergentes e regiões diversas. O objetivo é reduzir o peso de blocos com maior histórico de conflitos e criar mecanismos de cooperação mais estáveis.
Política interna e eleições
Ainda na conversa, o presidente tratou das eleições de outubro. Embora não tenha confirmado oficialmente sua candidatura, afirmou estar se preparando e em boa condição física. Enfatizou confiança de que a ideologia de direita não terá futuro.
Lula comentou o cenário de empate técnico nas pesquisas com o ex-presidente Jair Bolsonaro, garantindo que respeitará o resultado das urnas, independentemente do desfecho. Defendeu manifestação cidadã e o voto como instrumento democrático.
Viagem à Europa e agenda internacional
A entrevista ocorre antes da viagem à Europa, onde Lula participa da abertura da Feira de Hannover, ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz. O encontro terá tom diplomático, com o presidente comentando, de forma bem-humorada, uma gafe anterior de Merz sobre o Brasil.
O governo também esclareceu a posição sobre Cuba. Não há envio de petróleo à ilha para evitar impactos às sanções de Petrobras nos EUA. O foco brasileiro é enviar medicamentos, alimentos e apoiar a conquista de independência energética cubana.
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