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Museu de Barcelona se recusa a devolver murais de Sijena ao mosteiro

Municipalidade de Villanueva de Sijena acionará o MNAC por não devolver os afrescos de Sijena; museu afirma que retirada exige avaliação técnica

After being damaged during the Spanish Civil War, the Sijena murals were transferred to Barcelona and have been displayed at MNAC since 1961
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  • O Museu Nacional d’Art de Catalunya (MNAC), em Barcelona, se recusa a devolver as afrescos de Sijena ao mosteiro, mesmo com decisão da Suprema Corte.
  • A corte ordenou a devolução em maio do ano passado, mas o MNAC afirma que a remoção depende de avaliação das condições das obras.
  • O município de Villanueva de Sijena ameaça processar o gerente do MNAC por difamação após comentários sobre o concerto de Rosalía no salão Oval Hall; o show ocorreu.
  • Relatórios oficiais apontam riscos de danos por mudanças climáticas, vibrações e movimentação, mas o local onde as pinturas ficam é controlado e monitorado.
  • O ICCROM recomenda uma avaliação de riscos abrangente antes de qualquer traslado, considerando tanto aspectos materiais quanto o valor cultural das obras.

O Museu Nacional d’Art de Catalunya MNAC não acatou a ordem do Supremo Tribunal espanhol para devolver os afrescos Sijena ao Mosteiro Real de Sijena, na Espanha. A instituição argumenta que a remoção causaria danos e que a condição das obras precisa ser avaliada previamente. A disputa envolve a guarda das obras, consideradas um ícone do patrimônio espanhol.

Os murais, do século XII, foram pintados por um artista anônimo para o capítulo do mosteiro em Sijena, Aragão. Descrevidos como a “Sistine Chapel da arte românica”, retratam cenas bíblicas como a Criação, a expulsão do Paraíso e o Dilúvio. Foram removidos para Barcelona em 1936 e exibidos no MNAC desde 1961.

Em 2022 o Tribunal Superior da Espanha determinou a devolução, com prazo de um mês, mas o MNAC informou que a avaliação de condição das obras impediria a remoção dentro do prazo. A decisão jurídica manteve o impasse sobre a guarda das pinturas.

Em novembro, houve controvérsia envolvendo um evento musical feito pela cantora Rosalía no Oval Hall, espaço onde as obras ficam expostas. Um advogado da municipalidade argumentou que as vibrações do show poderiam danificar os murais, mas o concerto ocorreu como planejado.

A diretora do MNAC, Pepe Serra, comentou publicamente sobre o assunto, criticando a ideia de que o show pudesse prejudicar as pinturas. Posteriormente, o representante da prefeitura de Villanueva de Sijena ameaçou ação por difamação, em meio a críticas públicas entre as partes.

Pareceres técnicos e riscos

Um porta-voz do MNAC afirmou que ainda não houve processo judicial aberto até o momento e que os murais estão em uma sala isolada e sob controle climático. Ela destacou que a programação do museu inclui eventos no mesmo espaço sem relação direta com os murais.

Relatórios técnicos citados pelo MNAC indicam que camadas de tinta mostram sinais de desgaste e que mudanças climáticas, vibrações e movimento podem afetar as obras. A avaliação aponta que o transporte e a remontagem acarretariam riscos ainda não totalmente conhecidos.

Outra avaliação, encomendadas pela administração regional catalã e pela prefeitura de Barcelona, recomenda cautela e estudo detalhado de riscos antes de qualquer deslocamento significativo. O ICCROM também orienta uma avaliação baseada em valores culturais para embasar decisões sobre a guarda das peças.

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