- O papa Leonardo XIV pediu ao governo da Camarões para extirpar a corrupção, em discurso no palácio presidencial de Yaoundé, ao lado do presidente Paul Biya, com o objetivo de promover paz e justiça.
- O país enfrenta críticas por corrupção, más governança e falhas no combate à violência, principalmente nas regiões anglófonas, onde a insurgência separatista já deixou cerca de 6.000 pessoas mortas e muitos deslocados.
- O pontífice afirmou que “as correntes da corrupção devem ser quebradas” e que quem rouba os recursos do território investe no armamento, alimentando um ciclo de destabilização e morte.
- Em Bamenda, líderes religiosos e vítimas compartilharem os impactos do conflito; um líder muçulmano denunciou a morte da etnia Mbororo e houve relatos de sequestro e deslocamento de pessoas.
- O papa elogiou jovens e mulheres como esperança de Camarões, destacando educação, formação e participação feminina nas decisões, durante a 11ª dia de sua turnê pela África.
O Papa Leo XIV pediu à equipe de governo da Camarões combater a corrupção para alcançar paz e justiça. Em Yaoundé, durante a segunda etapa de sua viagem pela África, o pontífice discursou no palácio presidencial diante do presidente Paul Biya e de autoridades, defendendo que romper as cadeias da corrupção é essencial para dar credibilidade às instituições.
A fala ocorreu no contexto de críticas domésticas a corrupção, má gestão e atuação diante de um conflito que assola as regiões anglófonas do país. O Papa seguiu de Bamenda, cidade central na insurgência separatista, para uma missa no [Saint Joseph Cathedral], onde reuniu líderes religiosos, vítimas e moradores.
Contexto do conflito
Em Bamenda, o Papa condenou a violência e destacou que as riquezas locais costumam financiar guerras, levando a mais destabilização e mortes. O conflito já deixou milhares de mortos e deslocados desde 2017, alimentado pela percepção de marginalização da comunidade de língua inglesa frente a um governo de maioria francófona.
Religiosos e vítimas presentes na visita relataram impactos do conflito, incluindo sequestros, ataques a comunidades e saques. O Pontífice pediu que se valorize a dignidade humana e que as obras de paz sirvam de modelo para o mundo, evitando que o episódio se transforme em uma guerra religiosa.
Discurso e desdobramentos
Em Yaoundé, o Papa destacou que quem rouba recursos do país investe em armas, perpetuando ciclos de instabilidade. O texto enfatuiu a importância de jovens como esperança do Camarões, defendendo educação, formação e empreendedorismo como alavancas de paz. Também ressaltou o papel das mulheres, antes vítimas, como construtoras ativas da paz.
Biya, que buscava ampliar pautas para mulheres e juventude após sua reeleição, acompanhou a leitura sem reações públicas. A presença do Papa foi marcada por escolta militar e por celebrações de apoio de multidões, com cânticos e bandeiras.
O recorrido do Papa pela África inclui Angola e Guiné Equatorial, após início na Argélia, com foco na promoção da paz e da convivência entre diferentes religiões. Em vários momentos, o líder religioso enfatizou a importância do diálogo entre fé e cidadania para medidas concretas de paz.
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