- EUA consideram que tentar tomar o urânio enriquecido do Irã seria uma operação militar de alto risco, complexa e incerta.
- Trump afirmou que Teerã concordou em devolver o material nuclear aos EUA, objetivo declarado de impedir arma nuclear.
- Irã teria cerca de 440,9 quilos de urânio enriquecido até 60% de pureza; a 90% poderia permitir até dez bombas, segundo a AIEA, embora não haja evidências de armamento.
- O estoque estaria em túneis próximos a Isfahan, além de Natanz e Fordo; desde 2025, inspetores não conseguem verificar esses locais.
- Desafios logísticos, militares e de segurança são grandes, com estimativas de até mil militares para perímetro de uma instalação e risco de demora de dias ou semanas, além de possíveis armadilhas; muitos especialistas defendem solução negociada com cooperação internacional.
O governo dos EUA considera improvável uma operação para tomar à força o urânio enriquecido armazenado pelo Irã, segundo especialistas entrevistados. Analistas apontam riscos militares, ambientais e logísticos que tornariam a empreitada extremamente complexa e incerta. A notícia surge após declaração de Donald Trump sobre suposta concordância de Teerã em devolver o material aos EUA.
De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica, o Irã possui cerca de 441 kg de urânio enriquecido até 60% de pureza. Caso alcançasse 90% de enriquecimento, o material poderia facilitar a produção de até dez bombas nucleares, embora não haja evidência de armas. O desafio principal é a dispersão e a localização do estoque em túneis e instalações diversas.
Parte significativa do material estaria em túneis próximos a Isfahan, com volumes adicionais em Natanz e Fordo. Desde 2025, inspetores internacionais não têm acesso direto a esses locais, elevando a incerteza sobre condições de segurança e distribuição do urânio.
Desafios logísticos e operacionais
Especialistas ressaltam que a operação exigiria presença terrestre em território hostil, com estimativas que chegam a mil militares para proteger o perímetro de uma única instalação. Técnicos especializados em material nuclear também seriam necessários.
As instalações são profundamente enterradas e, em alguns casos, bloqueadas por escombros, o que exigiria uso de equipamentos pesados e rotas de acesso improvisadas. O transporte dos cilindros de gás hexafluoreto demanda medidas de proteção química e radiológica.
Riscos durante o manejo
O urânio, armazenado como gás hexafluoreto, pode liberar substâncias tóxicas se danificado. O contato com umidade favorece produtos corrosivos perigosos para pele, olhos e pulmões, impondo padrões rígidos de proteção para equipes envolvidas.
Entre os riscos, também está a possibilidade de reações nucleares acidentais. Manter distância entre cilindros durante o transporte é essencial para evitar liberações de radiação.
Caminhos diplomáticos
Muitos analistas defendem que a solução mais segura é uma negociação com participação técnica internacional, possivelmente da AIEA, para remoção segura do material. Experiências anteriores em Cazaquistão, Geórgia e Iraque mostraram cooperação local como fator crucial.
Sem acordo diplomático, a alternativa militar permanece, mas cercada de perguntas sobre viabilidade e custo humano. O consenso entre especialistas é de que há inúmeras variáveis que podem comprometer uma operação dessa natureza.
Cenário atual e perspectivas
Nesta quinta-feira, Trump sinalizou possível encontro com o Irã ainda neste fim de semana e indicou potencial extensão do cessar-fogo caso as negociações avancem. A leitura predominante é de que o cenário é volátil e dependente de condições de cooperação e verificação internacional.
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