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alegações de homicídio contra soldado australiano condecorado Ben Roberts-Smith

Ben Roberts-Smith, soldado australiano condecorado, enfrenta cinco acusações de assassinato no Afeganistão; novos documentos descrevem execuções e tentativas de encobrir crimes

A court sketch of Roberts-Smith during his bail hearing on Friday
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  • Ben Roberts-Smith, o soldado mais condecorado vivo da Austrália, apareceu por vídeo a partir de um tribunal em Sydney para responder, pela primeira vez, a acusações de crimes de guerra, incluindo cinco homicídios.
  • Segundo documentos judiciais, ele seria o responsável por matar um detento afegão com deficiência durante a operação no complexo de Whiskey 108, além de ter atirado contra um prisioneiro algemado fora da parede do local.
  • Em Darwan, em 2012, uma operação liderada por Roberts-Smith resultou na execução de Ali Jan, com o uso de chutes e tiros, e evidências de uso de uma segunda arma para confirmar a morte.
  • Na vila de Syachow, também em 2012, testemunhas dizem que dois homens detidos foram mortos sob ordens de Roberts-Smith, com execução final envolvendo uma granada para encobrir as mortes.
  • Roberts-Smith nega as acusações; o julgamento ainda não tem data determinada e ele recebeu fiança com condições, com o caso considerado de longa duração.

Ben Roberts-Smith, capitão australiano condecorado, foi formalmente indiciado por cinco acusações de homicídio, ocorridas durante operações no Afeganistão. O militar apareceu por videoconferência em um tribunal de Sydney nesta sexta-feira, pela primeira vez desde a divulgação das acusações. O inquérito envolve suspeitas de mortes de prisioneiros desarmados, além de supostos atos de intimidação e encobrimento.

Segundo documentos judiciais obtidos pela BBC, as acusações incluem a morte de um preso afegão com deficiência, bem como o empurrão de um prisioneiro algemado de um penhasco. Também há alegações de instrução a recrutas para executar outros detidos, em prática de iniciação chamada “blooding”, e de plantar itens nos alvos para mascarar abusos.

Roberts-Smith, de 47 anos, nega as acusações. Seu advogado afirma tratar-se de território jurídico inédito na Austrália, país que, até o momento, não sediou um julgamento por crimes de guerra.

Os fatos citados ocorreram em diferentes episódios entre 2009 e 2012, quando Roberts-Smith integrava a Força de Defesa Australiana (ADF) e atuava em operações no Afeganistão. Em 12 de abril de 2009, no cénario do poço de Tarin Kowt, a equipe SAS supostamente matou dois homens, incluindo um com perna prostética.

As acusações detalham ainda violência contra Ali Jan, detido em Darwan, em 11 de setembro de 2012, incluindo agressões físicas e a suposta execução de um homem após ser levado a um barranco. Testemunhas alegam que Roberts-Smith participou das ações e, posteriormente, coordenou a encenação de cenas de morte.

A defesa contesta a veracidade de parte das evidências, enquanto investigadores apontam padrões que ligam as mortes a operações sob controle da ADF, com vítimas handcuffed e sem combates ativos no momento.

Entre as provas mencionadas estão relatos de testemunhas que afirmam ter participado das execuções sob a direção ou com a conivência de Roberts-Smith. O Ministério Público sustenta que as mortes ocorreram em contextos de controle da operação e sem confronto com inimigos.

Roberts-Smith deixou as funções ativas em 2012 e a ADF encerrou seu vínculo em 2015, após receber uma condecoração de serviço distinto. Em 2018, sua figura foi associada a suspeitas de crimes de guerra, levando a um processo de difamação no qual ele negou as acusações.

O tribunal concedeu a Roberts-Smith fiança sob condições estritas durante a audiência de sexta-feira, com o magistrado Greg Grogin advertindo que o julgamento pode levar anos para ocorrer. O caso deve seguir para o rito processual, com aguardada apreciação de novas provas.

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