- O general Asim Munir, chefe do Exército do Paquistão, chegou a Teerã para atuar como mediador entre os EUA e o Irã.
- Munir trouxe uma nova proposta de Washington para um framework de nova rodada de negociações em Islamabad, na próxima semana.
- As negociações ocorrem após uma aproximação tensa, com bloqueio naval decretado por Donald Trump no estreito de Hormuz e esforços para evitar a ampliação do conflito.
- O Paquistão vem sendo visto como intermediário confiável, com Munir coordenando mensagens entre Washington e Teerã a partir de Rawalpindi.
- Analistas apontam que o papel de Munir depende do sucesso das tratativas, e sugerem que o Paquistão pode se tornar um ator central na construção de uma paz regional duradoura.
Field Marshal Asim Munir, chefe do Exército do Paquistão, viajou a Teerã em busca de retomar as negociações entre EUA e Irã para um cessar-fogo. Ele chegou na terça-feira à noite, foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, e levou uma proposta de Washington para uma nova rodada de conversas em Islamabad.
Munir é visto como figura-chave para viabilizar a mediação entre as partes. O passeio ocorreu poucos dias após o vice-presidente dos EUA, JD Vance, retornar a Islamabad após horas de conversações falhas com Teerã. A atuação paquistanesa intensifica-se mesmo com críticas à condução política local.
Trump elogiou publicamente os esforços de Munir ao longo dos dias, ao mesmo tempo em que anunciou medidas envolvendo o Estreito de Hormuz. Em Islamabad, delegações dos EUA e do Irã se reuniram sob mediação indireta de Munir, que também foi o terceiro participante na rodada inicial de conversas.
Papel de Islamabad
A presença de Munir na mesa de negociação é destacada por analistas como fator central para manter o canal aberto entre Washington e Teerã. A coordenação de negociações tem grande parte de sua influência operada em Rawalpindi, segundo especialistas, em vez de Islamabad.
Secondo especialistas, Munir construiu a reputação de intermediário confiável ao longo de 18 meses, fortalecendo laços com Washington, Riade e Teerã. A política externa paquistanesa ganhou destaque com visitas regulares e com acordos de cooperação em setores estratégicos.
Contexto interno e futuro
Analistas observam que o papel dominante do Exército paquistanês na política externa é tradicional, mesmo com governos civis. Em 2022, Munir concentrou poder internamente, mas nos últimos dias tem se posicionado como diplomata global, com visitas ao exterior e acordos comerciais.
Especialistas ressaltam que o êxito das negociações depende de múltiplos atores, não apenas de Munir. Desenvolvimento econômico, apoio regional e estabilização da região são partes críticas para evitar impactos na segurança e na economia do Paquistão.
Perspectivas
Caso haja acordo para encerrar o conflito, Munir pode manter influências significativas na arquitetura de segurança do Golfo. Observadores destacam que o Paquistão pode emergir como interlocutor central na construção de paz na região, com Munir ampliando seu papel internacional.
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