- A China ampliou a vigilância e as restrições contra católicos, atingindo cerca de 12 milhões de fiéis, segundo a Human Rights Watch (HRW).
- A repressão tem focado nas comunidades católicas clandestinas, que não reconhecem a autoridade da Igreja oficial controlada pelo Estado.
- A HRW aponta que a pressão aumentou desde a campanha de “sinicização” iniciada em abril de 2016, com demolição de igrejas e remoção de cruzes.
- O relatório destaca o Acordo Provisório de 2018 entre Vaticano e Pequim, renovado até outubro de 2028, usado para pressionar a filiação à Associação Patriótica Católica Chinesa.
- Entre as medidas, há vigilância por câmeras em igrejas, horários de missas alterados, pré-cadastro para cultos, travar o acesso de crianças e exigência de documentos de viagem dos clérigos.
O regime comunista da China intensificou a pressão sobre as comunidades católicas do país, ampliando vigilância, controle ideológico e restrições de viagem para cerca de 12 milhões de fiéis. A informação veio da Human Rights Watch (HRW) em relatório publicado nesta semana.
O estudo aponta que a repressão se concentra nas igrejas clandestinas, que não aceitam jurar lealdade ao Partido Comunista. A HRW afirma que a Igreja oficial, considerada pelo regime como controlada pelo Estado, é a Associação Patriótica Católica Chinesa.
A campanha de “sinicização” das religiões, lançada por Xi Jinping em 2016, é citada como marco. Segundo o relatório, igrejas foram demolidas, cruzes removidas e fiéis impedidos de se reunir em templos sem registro estatal.
Medidas de vigilância e controle
O documento afirma que o Acordo Provisório de 2018 entre Vaticano e Pequim é utilizado como instrumento de pressão sobre católicos clandestinos. O tratado, renovado três vezes, vale até outubro de 2028 e é visto como meio de coerção.
Relatos coletados indicam que sacerdotes detidos têm sido informados de que a filiação à Associação Patriótica foi ordenada pelo Vaticano, segundo autoridades. O relatório aponta uso de pressão institucional para adesão à igreja estatal.
Câmeras passaram a funcionar dentro de igrejas oficiais, horários de missas foram reorganizados e o pré-cadastro para cultos passou a ser comum em algumas regiões. Crianças têm sido impedidas de entrar em templos, para frear vínculos geracionais.
Regulamentação de dezembro de 2025 exige que clero entregue documentos de viagem ao Estado, que passa a controlar deslocamentos ao exterior. Sacerdotes recebem treinamentos ideológicos frequentes e seus sermões precisam de aprovação prévia.
Reação internacional e apelos
A HRW pede que a comunidade internacional e o Vaticano coloquem pressão sobre Pequim para encerrar a perseguição religiosa. A organização reforça a necessidade de respeito à liberdade religiosa para comunidades católicas no país.
O relatório destaca a necessidade de monitoramento independente das ações chinesas e de transparência sobre o tratamento a fiéis que mantêm práticas independentes do Estado.
A HRW cita ainda declarações de especialistas que destacam o impacto da repressão sobre a continuidade de membros e a preservação de tradições católicas autônomas na China.
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