- Após seis semanas de bombardeios, o Irã teme piora econômica: fábricas destruídas paralisam a produção, afetando centenas de milhares de trabalhadores.
- A guerra já é considerada responsável por danos estimados em cerca de 229 bilhões de euros, segundo a porta-voz Fatemeh Mohajerani; a siderúrgica Mobarakeh, em Isfahan, fechou após novo ataque, deixando milhares de diaristas sem trabalho.
- O embargo ao Estreito de Ormuz, imposto por Washington após falhas nas negociações, busca reduzir as receitas de exportação de petróleo iraniano e impedir cobranças de pedágios pela passagem.
- A pobreza e a insegurança aumentam com demissões em massa no setor de serviços digitais e reaparecimento de trabalhadores informais; jornalistas da Agência de Notícias do Trabalho Iraniana foram demitidos.
- Entre fevereiro e abril, o conflito deixou 3.636 mortos no Irã, sendo 1.701 civis, entre eles pelo menos 254 crianças.
A guerra no Irã, em seis semanas de bombardeios, agrava a crise econômica. Fábricas paralisam a produção e atingem centenas de milhares de trabalhadores. Mais de 93 milhões de iranianos vivem sob a sombra do conflito, com risco de piora rápida.
Após a suspensão temporária das negociações entre EUA e Irã no Paquistão, Washington bloqueou o Estreito de Ormuz. A medida visa reduzir receitas de exportação de petróleo de Teerã e impedir o pedágio pela passagem estratégica.
Segundo Ismail Abdi, sindicalista iraniano, a pressão se estende à classe trabalhadora. Ele relata sofrimento quando fábricas fecham ou reduzem atividades, atingindo trabalhadores terceirizados, diaristas e informais.
Montante humano e econômico
A situação envolve uma economia já fragilizada por má gestão, corrupção e sanções. O governo estima danos da guerra em cerca de 229 bilhões de euros (R$ 1,7 trilhão), em estimativa preliminar, divulgada pela porta-voz Fatemeh Mohajerani.
A indústria siderúrgica sofreu forte abalo. A Mobarakeh, em Isfahan, fechou após ataque conjunto dos EUA e de Israel, afetando o fornecimento para setores automotivo, naval, químico e construção.
Na prática, milhares de trabalhadores foram mandados para casa. Estima-se que pelo menos 10 mil sejam diaristas na siderúrgia, com desdobramentos para cadeias de suprimento locais.
Impactos setoriais e mudanças no emprego
Ataques a petroquímicas em Asaluyeh, Mahshahr e Shiraz provocam paralisações e demissões. Em Mahshahr, com mais de 30 mil empregos, demissões rápidas e cortes salariais já são observados, segundo analistas.
Especialistas estimam que a reconstrução de grandes complexos industriais levaria anos, exigindo tecnologia, capital e peças importadas, dificultadas pelas sanções. O efeito ampliado atinge fornecedores e o comportamento de consumo.
A redução de empregos já se reflete na pobreza. Em 14 de abril, a Ilna demitiu seus jornalistas, classificando-os como autônomos. Outros setores, como serviços digitais, cortam pessoal diante da queda de demanda.
Perspectivas e desdobramentos
A guerra tende a frear renda real e aumentar vulnerabilidade social, segundo o sindicalista Abdi. Ele alerta que a situação pode transformar trabalhadores recém-formados em mão de obra mais precarizada, com menos qualificação.
O conflito já provocou impactos humanos significativos. Entre 28 de fevereiro e 8 de abril, Hrana contabilizou 3.636 mortes no Irã, das quais 1.701 civis, incluindo 254 crianças.
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