- A ofensiva de contratação do ICE resultou na entrada de funcionários com qualificações questionáveis, segundo apuração da Associated Press.
- O programa de expansão ocorreu sob a administração Trump, com promessas de reforçar a força em 12 mil novos agentes, após a agência receber verba adicional de órgãos legislativos.
- Casos destacados incluem: dois casos de falência, uma acusação de mentir em relatório para justificar uma acusação contra uma mulher, e um candidato que não concluiu a academia de polícia e permaneceu apenas três semanas no único emprego policial.
- A apuração aponta que, embora o ICE afirme que a maioria dos novos contratados é formada por veteranos, houve relatos de falta de verificação completa de antecedentes ou contratempos no passado de alguns candidatos.
- Entre os nomes identificados estão Carmine Gurliacci, Andrew Penland e Antonio Barrett, cada um com histórico de falências, ações trabalhistas ou formação incompleta, segundo registros públicos e fontes da investigação.
A contratação acelerada do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) resultou na admissão de dezenas de novos agentes com qualificações questionáveis, aponta uma investigação. O impulso ocorreu durante o governo Trump, com a promessa de ampliar a fiscalização de fronteiras.
O levantamento, feito pela Associated Press, analisa registros públicos de mais de 40 oficiais que anunciaram recentemente suas vagas no ICE. A maioria tem experiência prévia em atividades de segurança, como ex-carcereiros, veteranos e policiais.
Segundo o material, alguns recrutados enfrentaram problemas que vão além do currículo. Entre eles estão históricos de dívidas não pagas, duas falências declaradas e ações judiciais envolvendo condutas inadequadas em cargos anteriores. Em alguns casos, houve acusações não comprovadas de má conduta.
O ICE justificou que a maior parte dos novos contratados possui formação em áreas de segurança, enfatizando uma forte base de combate e, segundo a agência, a maior parte já passou por academias de polícia. O órgão destacou ainda que a seleção é contínua e que o processo de averiguação é longo.
O contextual de expansão ocorreu após o ICE receber um aporte de quase 75 bilhões de dólares para ampliar a sua força, em meio a uma agenda de endurecimento da imigração. A meta era dobrar o quadro de funcionários, com até 12 mil novas contratações.
O novo diretor interino do ICE, Todd Lyons, que deixará o cargo no final de maio, defendeu a campanha de contratação em um depoimento ao Congresso, afirmando que mais de 220 mil candidaturas foram recebidas. Ele ressaltou o objetivo de uma força bem treinada e rigorosamente verificada.
A agência informou que, diferentemente de outras forças locais, costuma manter confidencial a identidade dos funcionários para proteção contra assédios, o que dificulta um retrato completo das novas contratações. A AP, porém, verificou casos a partir de páginas públicas e registros oficiais.
O material analisado aponta ainda que, entre os recrutados, um ex-oficial de polícia na Geórgia enfrentou falência em 2022 após passar anos sem renda, mudando-se de Nova York para a Geórgia. Outros têm histórico de ações judiciais ou de processos administrativos prévios.
Especialistas ouvidos pela AP ressaltaram que, com a contratação em larga escala, é possível encontrar candidatos fora do ideal mesmo com bons processos de checagem. A preocupação é se há falhas sistêmicas na avaliação de antecedentes.
A agência reiterou que a verificação de antecedentes envolve histórico criminal, crédito, entrevistas com empregadores anteriores e investigações, processo que pode levar semanas. Em momentos de enxurrada de admissões, o ICE admitiu flexibilizar algumas etapas.
Contexto e desdobramentos
Relatos internos e depoimentos de ex-instrutores de academias de polícia indicaram preocupações com cortes no treinamento em uso da força, segurança de armas e direitos de manifestantes. Com a expansão, surgem dúvidas sobre a aplicação prática dessas diretrizes.
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