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Ex-funcionário da USAID detalha devastação causada pelos cortes do Doge

Ex-funcionário da USAID detalha devastação após cortes de Doge, com milhões sem saúde e educação afetados e milhares de contratos cancelados

Workers at a hospital in Lodwar, Kenya, take inventory of the last boxes of drugs delivered by USAID, on 1 April 2025.
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  • Nicholas Enrich, ex-funcionário da USAID, descreve o impacto de cortes afirmados pela administração de Donald Trump, que começou com uma pausa e levou à dissolução da agência.
  • Em julho do ano passado, mais de oitenta por cento dos programas foram cancelados e a USAID foi oficialmente incorporada ao Departamento de Estado.
  • O governo pediu que países anfitriões assinassem uma declaração de “comércio em vez de ajuda”, privilegiando relações comerciais com empresas americanas.
  • A organização Oxfam estima impactos graves: pelo menos vinte e três milhões de crianças perderiam acesso à educação e até noventa e cinco milhões de pessoas ficariam sem atendimento básico de saúde.
  • Enrich afirma que mais de dez mil pessoas da força de trabalho da USAID sentiram o desmontamento da agência, considerado por ele como incompetência, ignorância e crueldade, e alerta sobre riscos para a segurança nacional e parcerias internacionais.

Nicholas Enrich testemunhou, em 2003, o auge da ajuda humanitária ao HIV. Na época, ele atuava no Quênia quando o presidente George W. Bush assinou um compromisso de 15 bilhões de dólares para combate à doença, o maior acordo de saúde internacional já feito por um país.

Quase duas décadas depois, o ex-funcionário da USAID descreve, em livro, o que ocorreu com a agência após a mudança de governo com a chegada de uma agenda centrada no conceito de “America first”. O livro relata o início das ações que levaram à redução de operações da USAID.

O que aconteceu, onde e quando

Em janeiro do ano anterior, o Governo dos EUA anunciou uma suspensão temporária de financiamentos à USAID. Dois meses depois, houve a decisão formal de dissolver a agência, que até julho já registrava cancelamento de mais de 80% de seus programas e foi incorporada ao Departamento de Estado.

Quem está envolvido e por quê

Enrich, especialista em tuberculose resistente, era atuante como administrador adjunto interino de saúde global. O livro amplia o debate sobre o papel da assistência externa dos EUA no cenário internacional e analisa implicações de políticas consideradas de corte orçamentário.

Detalhes operacionais e impactos

Relatos indicam que o governo reduziu contratos existentes, mantendo cerca de mil ao redor, sob administração do Departamento de Estado. Organizações como Oxfam estimam impactos severos, com milhões de crianças sem acesso à educação e dezenas de milhões sem atendimento básico de saúde, potencialmente elevando mortes evitáveis.

Contexto e desdobramentos

O tema se insere num debate sobre o papel dos EUA no mundo e alianças internacionais. Enrich aponta que a interrupção de contatos com países parceiros pode afetar a capacidade de resposta a crises sanitárias e de saúde pública, incluindo programas de controle de doenças infecciosas.

Visão e repercussões

O ex-funcionário também fala sobre o ambiente interno da agência durante a transição, citando tensões entre funcionários de carreira e nomeados políticos. O relato sugere que a mudança não foi apenas administrativa, mas também cultural, com consequências de longo prazo para a assistência externa dos EUA.

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