- Ben Roberts-Smith, condecorado ex-soldado australiano, enfrenta cinco acusações de homicídio por fatos ocorridos no Afeganistão, segundo novos documentos judiciais vistos pela BBC.
- As acusações envolvem supostos assassinatos de prisioneiros algemados, inclusive a morte de um homem afegão com deficiência e a execução de outro após derrubar de um penhasco.
- Os autos detalham stillso episódios em Socks Whiskey 108 (complexo no Afeganistão), Darwan e Syahchow, incluindo interrogatórios violentos e uso de força desproporcional sob ordens atribuídas a Roberts-Smith ou a colegas.
- Roberts-Smith negou as acusações e afirma que o caso é um território jurídico inédito para a Austrália; o julgamento ainda não tem data definida e pode levar anos.
- O tribunal concedeu fiança rigorosa, e a defesa pode apresentar evidências adicionais, com as autoridades afirmando que há múltiplas testemunhas ligadas aos supostos incidentes.
Ben Roberts-Smith, o soldado australiano mais condecorado, permanece em silêncio na primeira audiência por crimes de guerra realizada por videoconferência, em Sydney. O caso envolve cinco acusações de homicídio cometidos no Afeganistão, quando ele integrava o SAS.
De acordo com documentos judiciais, o militar de 47 anos é acusado de assassinar um detido afegão com deficiência, empurrar um prisioneiro algemado de um penhasco, ordenar que recrutas executassem outros em um ritual de iniciação chamado blooding e dispor objetos para encobrir as mortes. Roberts-Smith nega as acusações.
As acusações remontam a quatro ocorrências entre 2009 e 2012, em áreas de Tarin Kowt e Darwan, no Afeganistão. Em todos os casos, as vítimas teriam sido algemadas e sob controle de tropas australianas, segundo os documentos.
Acusações e contexto
Os autos detalham o que seriam execuções de presos durante operações de combate, incluindo o episódio em Whiskey 108, em 12 de abril de 2009, quando o detido Ahmadullah, com prótese na perna, teria sido morto a tiros após ser levado para fora do recinto. Há relatos de testemunhas que presenciaram a ação.
Em Darwan, em 2012, Roberts-Smith é acusado de empurrar Ali Jan, que já estava algemado, de uma altura de aproximadamente 10 metros, ferindo-o. A acusação aponta que os detidos foram submetidos a um interrogatório que incluiu agressões físicas e que um rádio foi posicionado ao lado de Ali Jan para simular uma atuação em combate.
Em Syahchow, no mesmo ano, duas mortes são atribuídas a Roberts-Smith após capturas que, segundo a acusação, teriam ocorrido sob ordens dele. Um soldado de patente superior teria atirado em um dos homens; Roberts-Smith teria ordenado que o segundo detido fosse alvejado.
Situação processual e próximos passos
Roberts-Smith é citado como negando as acusações durante depoimento e afirmou conhecer os limites da atuação militar, sem violar leis de guerra. O julgamento está estimado para ocorrer somente após várias fases de instrução e coleta de provas.
Os documentos apontam que há testemunhas diretas para cada caso, incluindo relatos de detidos e de soldados presentes. A defesa não apresentou resposta detalhada às acusações até o momento.
Cerca de um ano após deixar o Exército, Roberts-Smith enfrentou processos por difamação, que ele perdeu em 2018, antes de os autos criminais ganharem andamento. O juiz competente concedeu fiança com condições rígidas, anunciando que a fase judicial pode se estender por anos.
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