- Diplomatas europeus dizem que uma negociação apressada entre Estados Unidos e Irã pode resultar em um acordo inicial frágil, difícil de sustentar politicamente.
- Acordo básico pode envolver um pacote nuclear e um pacote econômico, mas o núcleo da questão nuclear continua sendo o mais controverso.
- O Irã possui cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, com opções de armazenar ou enviar parte do material ao exterior sob supervisão da AIEA.
- A retirada dos Estados Unidos do Plano de Ação Conjunto Global em 2018 é citada como contexto, com diplomatas destacando a necessidade de verificação rigorosa e de etapas sequenciais.
- Europa, embora colocada à margem, enfatiza que o papel da AIEA é central e que avanços exigem tempo, verificação detalhada e garantias de segurança mais amplas.
Diplomatas europeus expressam preocupação com a possibilidade de um acordo rápido entre EUA e Irã, visto como precipitado e de tom midiático. O risco apontado é de um primeiro acordo frágil que gere problemas subsequentes, dificultando sustentar politicamente as medidas acordadas.
Segundo relatos, a equipe de negociação americana é vista como inexperiente e pressionada pela agenda interna para celebrar uma vitória diplomática. A verificação, o desmantelamento gradual do programa nuclear e o alívio de sanções aparecem como componentes centrais, mas com riscos de desentendimentos técnicos.
O tema foi discutido por diplomatas com atuação anterior no assunto, que seguiram os desdobramentos em Washington e em conversas iniciadas em Islamabad, no começo deste mês. Houve preparativos para encontros presenciais na capital paquistanesa.
A preocupação central envolve a estrutura do acordo, que muitos entendem como requerendo um trabalho técnico de longa duração. Observadores lembram que negociações de alto nível costumam exigir acordos amplos e detalhados, não simples.
Entre as questões em disputa estão os estoques iranianos de urânio enriquecido a 60%, estimados em cerca de 440 quilos. A possibilidade de armazenar material no exterior ou enviá-lo a destinos como Turquia, França ou, menos favorável, Estados Unidos, é discutida.
Um ponto sensível é o direito do Irã de enriquecer urânio para fins civis versus a rejeição de Washington quanto a qualquer avanço nesse campo. A hipótese de moratória temporária e retomada a níveis baixos tem sido mencionada como possível caminho.
Especialistas destacam a importância de a Agência Internacional de Energia Atômica ter acesso de verificação rigoroso. A cooperação com a AIEA é vista como elemento-chave para credibilidade do acordo.
Contexto político e histórico
Diplomatas relembram o papel do JCPOA de 2015, que envolvia EUA, Irã e potências europeias. O acordo foi rompido pelos EUA em 2018, sob o governo Trump, com justificativa de irregularidades e benefícios desproporcionais. A restauração envolve decisões complexas sobre sanções.
Enquanto o eixo econômico pauta o levantamento gradual das sanções, representantes europeus ressaltam a importância do suporte a longo prazo pelo bloco. O comércio com a Europa é visto como crucial para o Irã, caso haja avanço comercial.
Observadores destacam que a negociação atual não é simples “acordo imobiliário”, como descreveu um diplomata, mas um processo com sequenciamento, verificação e medidas recíprocas. A experiência de décadas em negociação nuclear é citada como referência.
Na prática, a tensão entre a pressão por resultados rápidos e a necessidade de verificação robusta é apontada como o principal desafio. Autoridades ocidentais reconhecem que o Irã mantém posição firme sobre suas garantias de segurança.
Reações e próximos passos
As autoridades norte-americanas afirmaram que o presidente busca acordos que priorizem os interesses dos EUA. Oficializam que o objetivo é obter resultados que beneficiem a segurança nacional, sem detalhar condicionalidade de cada etapa.
Entre as vozes, há quem ressalte que as conversas ainda estão na fase inicial de definição de cenários. Diplomatas ressaltam que a próxima etapa envolve alinhamento técnico entre as partes, com foco em verificação, transporte seguro de material e cronogramas de descomissionamento.
Enquanto isso, países europeus mantêm a linha de atuação de cobrança por medidas verificáveis e pela garantia de não agressão, sem abrir mão de uma condução cuidadosa do diálogo com Teerã. O acompanhamento da AIEA permanece central.
Entre na conversa da comunidade