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Conservação que gera dificuldades não funciona, diz diretor do Virunga

Conservação com foco no desenvolvimento: Virunga usa hidroeletricidade para reduzir carvão e melhorar condições locais

Fabrice, a ranger at Virunga National Park since 2013 and now a Deputy Sector Warden, pauses during a patrol. Virunga has lost more rangers than any other protected area in Africa, illustrating the human cost of conservation and raising the question of whether new conservation models can better protect both biodiversity and those charged with defending it.
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  • Emmanuel de Merode, diretor do Parque Nacional Virunga, defende que conservação só funciona se beneficiar as comunidades locais.
  • Em vez de apenas proteger a fauna, Virunga adotou um modelo que integra conservação com desenvolvimento econômico, buscando alternativas à extração florestal.
  • A energia hidrelétrica tem sido central nesse eixo, com rede de usinas em área montanhosa que já leva eletricidade a parte de North Kivu, incluindo casas, hospitais e pequenos comércios.
  • Hoje, mais de quarenta mil domicílios têm acesso à energia, o que reduz a dependência do carvão para cozinhar e aquecer água.
  • Desafios persistem: o carvão ainda é usado em áreas sem eletricidade, infraestrutura foi danificada pelo conflito e grupos armados atuam em partes do leste do Congo.

Emmanuel de Merode, diretor do Parque Nacional de Virunga, dedica mais de duas décadas a conciliar conservação, conflito e desenvolvimento na região leste da República Democrática do Congo. Como gestor, supervisiona uma experiência de proteção da biodiversidade que visa melhorar as condições de vida dos moradores da área.

A visão dele é simples: a conservação precisa beneficiar as populações locais. Em visita recente ao Parque Nacional Salonga, ele reforçou que a sustentabilidade falha se traz dificuldades para as pessoas, especialmente em áreas com alto índice de pobreza.

Virunga, criado em 1925, é o parque mais antigo da África e abriga gorilas da montanha, elefantes da floresta e diversas espécies de símios. Sua história é marcada por conflitos, atuação de grupos armados e exploração ilegal de recursos, o que complexifica as estratégias de proteção.

Rethinking Conservation

A experiência evidenciou um dilema: as regras de proteção de florestas podem entrar em choque com necessidades básicas de sobrevivência. Um episódio marcante, vivido em 2007, envolve mulheres que imploraram para obter acesso à floresta para produzir carvão, fonte de alimento e água para suas famílias.

Essa cena levou à conclusão de que não basta impor normas de conservação sem oferecer alternativas viáveis. A gestão passou a integrar conservação com desenvolvimento econômico, buscando reduzir a dependência de recursos florestais.

Energia como pilar

A hidrelétrica se tornou elemento central da estratégia. A geografia de Virunga, com relevo acidentado e chuvas abundantes, favorece pequenas usinas. Na última década, o parque desenvolveu uma rede de geração de energia para comunidades vizinhas.

Dados de projeto indicam que a eletricidade gerada atende parte de North Kivu, beneficiando residências, hospitais, sistemas de água e pequenos negócios. Mais de 40 mil domicílios já contam com energia elétrica.

Confiança e inclusão

A energia, segundo o diretor, não é apenas sobre eletricidade, mas sobre reconstruir a confiança entre comunidades e autoridades de conservação. Ao ampliar empregos, infraestrutura e serviços, Virunga espera mudar a percepção de que o parque é um obstáculo às atividades locais.

Zonas eletrificadas deram origem a pequenos empreendimentos: serralherias, moinhos, oficinas de refrigeração e outras atividades econômicas, além de apoio à agricultura e ao turismo. A proposta é uma “economia verde” que reduz a pressão sobre a floresta.

Desafios persistentes

Mesmo com avanços, o modelo ainda enfrenta dificuldades. A produção de carvão continua em áreas sem energia elétrica. Infraestrutura foi danificada pelo conflito e grupos armados permanecem ativos em partes da região. Para muitas famílias, o carvão continua sendo opção mais barata.

A história de Virunga demonstra que conservar a biodiversidade requer soluções integradas de desenvolvimento. A abordagem de De Merode ressalta a necessidade de equilibrar proteção ambiental e bem-estar humano, sem promover julgamentos ou conclusões prematuras.

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