- O artista Gao Zhen, de sessenta e nove anos, foi preso em mid-2024 no estúdio nos arredores de Pequim durante visita à família, com obras apreendidas e a esposa e o filho proibidos de deixar o país.
- Ele enfrenta um julgamento secreto, sob a acusação de “insultar heróis e mártires revolucionários”, com pena potencial de até três anos de prisão.
- O caso evidencia um endurecimento da repressão a dissidência na China, mesmo para obras criadas há muitos anos, segundo Gao Qiang, irmão de Gao Zhen.
- A cobertura na China é limitada; organizações internacionais veem o caso como parte de um padrão de restrição à expressão artística, com alcance transnacional.
- A comunidade internacional, incluindo a ONU, pediu a libertação de Gao; há preocupações com a saúde do artista, que sofre de várias doenças e desnutrição.
O escultor Gao Zhen foi preso em meados de 2024, na periferia de Pequim, durante visita à casa de família. Autoridades apreenderam obras e proibiram a saída de sua esposa e do filho de sete anos. O caso envolve acusações de ultraje a heróis e mártires revolucionários, com pena de até três anos de prisão.
O detido, de 69 anos, vive nos Estados Unidos desde 2022 e em 2009 já havia exibido obras que satirizavam o legado de Mao Tsé-Tung, figura central da história recente da China. A condução da investigação ocorreu sem ampla cobertura, com a imprensa local enfatizando as circunstâncias da detenção.
Gao Zhen enfrentou um julgamento secreto recentemente, na audiência que tratou do crime de insulto a figuras históricas. A defesa e familiares não puderam acompanhar o processo publicamente. A falta de transparência levou analistas a classificar o caso como indicativo de endurecimento de controles sobre dissidência cultural e memória histórica.
Gao Qiang, irmão do artista, afirma que a sentença pode refletir uma mudança de clima político em Pequim, que retroativamente criminaliza obras criativas mesmo quando produzidas há muitos anos. O episódio é visto por observadores como parte de um movimento mais amplo de restrição à expressão artística no país.
A Organização das Nações Unidas e defensores dos direitos humanos chamaram a atenção internacional para o caso, destacando riscos de aplicação retroativa de leis penais para punir expressão artística. Países e entidades independentes alertam para impactos na liberdade de expressão e na memória histórica.
Especialistas mencionam que a repressão não se limita a artistas dentro da China, abrangendo redes transnacionais e instituições culturais. A situação é apontada como um indicativo de maior alcance da censura estatal sobre obras que tratem de figuras consideradas sagradas ou controvérsias históricas.
Para observadores, o caso de Gao Zhen não classifica o artista como dissidente clássico, mas evidencia o zelo do regime em controlar narrativas sobre a história. A defesa afirma que a prisão se baseia em um enquadramento legal aplicado de maneira retroativa, elevando o tom de alerta entre criadores internacionais.
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