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Homem de 86 anos é o 1º na França a pedir desculpas por laços com escravidão

Homem de 86 anos na França faz o primeiro pedido formal de desculpas por laços familiares com a escravidão, cobrando reparações financeiras

Pierre Guillon de Prince, descendente de uma famosa família de Nantes cujos ancestrais eram donos de navios que transportavam pessoas escravizadas, e Dieudonné Boutrin, descendente de africanos escravizados na Martinica
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  • Um homem de 86 anos na França fez o que pode ser o primeiro pedido formal de desculpas de alguém por ligações familiares com a escravidão transatlântica, em Nantes, neste sábado (18).
  • Os antepassados de Pierre Guillon de Prince eram armadores que transportaram cerca de 4.500 africanos escravizados e possuíam plantações no Caribe.
  • Guillon de Prince afirmou que outras famílias devem reconhecer seus laços históricos com a escravidão e que o Estado precisa ir além de gestos simbólicos, com reparações em dinheiro.
  • A cerimônia ocorreu antes da inauguração de uma réplica de 18 metros do mastro de um navio, no âmbito de uma parceria com Dieudonné Boutrin, descendente de africanos escravizados na Martinica.
  • A iniciativa faz parte de um movimento global por reparações; na França, o tema envolve reconhecimento oficial, acesso a arquivos históricos e possíveis compensações.

Um homem de 86 anos fez, neste sábado (18), o que pode ser o primeiro pedido formal de desculpas por parte de uma família francesa pelo papel na escravidão transatlântica. A declaração ocorreu em Nantes, diante de uma réplica de 18 metros do mastro de um navio, junto a Dieudonné Boutrin, descendente de africanos escravizados na Martinica.

Pierre Guillon de Prince, cujos antepassados eram armadores que transportaram cerca de 4.500 africanos escravizados e tinham plantações no Caribe, pediu que outras famílias enfrentem seus laços históricos e que o Estado vá além de gestos simbólicos, contemplando reparações financeiras. Boutrin, de 59 anos, é membro da Coque Nomade-Fraternité, associação que busca romper o silêncio sobre a escravidão e que participa da cerimônia.

A cerimônia ocorreu em um momento de debate sobre reparações na França. A França reconheceu a escravidão transatlântica como crime contra a humanidade em 2001, mas não apresentou uma desculpa formal. O presidente Emmanuel Macron ampliou o acesso a arquivos ligados ao passado colonial, mas não citou reparações firmes. Indagações sobre compensações continuam a ganhar espaço globalmente.

Contexto histórico e desdobramentos

  • Estima-se que, entre os séculos 15 e 19, pelo menos 12,5 milhões de africanos foram sequestrados e transportados à força para a escravidão, com a França responsável por cerca de 1,3 milhão de pessoas.
  • As discussões sobre reparações incluem desde pedidos formais de desculpas até propostas de compensação financeira, com perspectivas variando entre reconhecimento público e ações concretas.

Perspectivas recentes e agenda pública

  • Em ações recentes, França tem se permitido abrir arquivos históricos e avaliá-los, ao mesmo tempo em que muitos países discutem reparações por crimes históricos.
  • A reta final de 2025 e o início de 2026 viram movimentos internacionais fortalecidos, com debates sobre o papel do governo e da sociedade civil na reparação de danos causados pela escravidão.

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