- Irã rejeita nova rodada de negociações com os EUA, alegando demandas excessivas, propostas irracionais e violações do cessar-fogo, com a trégua prestes a expirar em 22 de abril.
- A delegação dos Estados Unidos, anunciada para chegar ao Paquistão na segunda-feira, 20 de abril, enfrenta resistência em Teerã, que diz não ver condições para dialogar.
- Trump disse, nas redes sociais, que pode atacar pontos-chave do Irã caso não haja acordo, apesar de ter indicado anteriormente que havia proximidade com um entendimento.
- O Estreito de Ormuz, rota de escoamento de boa parte do petróleo mundial, permanece sob tensão após o Irã anunciar fechamento e depois recuar diante de pressões externas, com incidentes envolvendo navios.
- Forças iranianas teriam forçado retrocesso de navios de gás liquefeito que se aproximavam da rota, elevando o risco de confronto direto na região.
O Irã rejeitou nesta semana a nova rodada de negociações com os EUA, marcada para começar no Paquistão na segunda-feira, 20. A decisão ocorre pouco antes do fim da trégua entre Teerã e Washington, que vence na quarta-feira, 22. Segundo a agência oficial Irna, Washington apresentou demandas consideradas irracionais e fora da realidade, além de acusações de violações ao cessar-fogo.
O governo iraniano afirma que as declarações dos EUA são contraditórias e apontam infrações ao acordo, o que impede qualquer avanço. Em resposta, Teerã disse não ver condições para um caminho promissor de negociação, mantendo a posição de não retomar o diálogo nas condições propostas.
Horas antes da confirmação iraniana, o presidente dos EUA, Donald Trump, informou a intenção de enviar uma delegação ao Paquistão para encontros com representantes iranianos. Em redes sociais, Trump voltou a ameaçar ataques ao Irã caso não haja acordo, enquanto, na sexta-feira anterior, havia dito que não havia pontos de discórdia e que um entendimento estava próximo.
Na prática, a situação já apresentava sinais de agravamento. Na sexta-feira, o Irã anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz, depois recuou, citando bloqueio naval imposto pelos EUA a portos iranianos. No sábado, a Guarda Revolucionária afirmou ter atingido dois petroleiros de bandeira indiana, ato considerado por Trump como violação do cessar-fogo.
O Estreito de Ormuz é uma rota estratégica para o escoamento mundial de petróleo e fertilizantes, o que eleva o peso geopolítico da região. Em meio à tensão, dois navios de gás liquefeito foram registrados se aproximando da área, mas forças iranianas teriam impedido a passagem, segundo a agência Tasnim.
No fim de semana, Trump repetiu a promessa de que os EUA poderiam destruir usinas de energia e pontes no Irã caso as negociações fracassem. Ele afirmou, ainda, que o Irã violou o cessar-fogo negociado recentemente, sem apresentar evidências públicas. Autoridades americanas teriam passado a atuar no fechamento de portas diplomáticas, segundo relatos de veículos de imprensa.
Enquanto isso, autoridades de segurança estrangeiras monitoram a região, com relatos conflitantes sobre o andamento das tratativas. O Paquistão tem sido mediador entre as partes, buscando facilitar um acordo que preserve o cessar-fogo antes do seu vencimento. As próximas horas devem esclarecer se há espaço para negociações formais ou se o impasse se consolida.
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