- Pedidos de asilo na Alemanha caíram 23% no primeiro trimestre de 2026 ante o mesmo período de 2025, totalizando 28.922.
- Alemanha saiu da liderança das estatísticas de asilo na UE e passou a ocupar o quarto lugar; França lidera com 34.643, seguida por Espanha e Itália.
- Os dados vêm de um relatório confidencial da Comissão Europeia, datado de 1 de abril de 2026, que mostra queda de 18% nos pedidos na UE como todo (173.082 no 1º trimestre).
- Entre os países de origem, Venezuela, Afeganistão e Bangladesh aparecem no topo; Síria cai para quinto lugar, atrás da Turquia, e os pedidos de Ucrânia caem 57%.
- O governo de Berlim reforçou controles de fronteira desde setembro de 2024; entradas ilegais caíram pela metade nos últimos dois anos, com 62.526 ocorrências em 2025.
A Alemanha registrou, no primeiro trimestre de 2026, o menor número de pedidos de asilo já apurado. A informação, publicada pelo jornal Welt am Sonntag, cita dados inéditos da Agência da UE para Asilo (EUAA). Entre janeiro e março, foram 28.922 requerimentos no país, queda de 23% em relação ao mesmo período de 2025.
O recuo fez a Alemanha perder pela primeira vez desde 2015 a liderança entre os destinos de asilo na UE, passando ao quarto lugar. A França ficou em primeiro com 34.643 pedidos, seguida por Espanha e Itália, com 32.630 e 32.602, respectivamente. Relatório confirma queda generalizada na UE.
Segundo o documento, o conjunto dos 27 Estados-Membros da UE, mais Noruega e Suíça, somou 173.082 pedidos no 1º trimestre, 18% abaixo do mesmo período de 2025. O efeito é visto como tendência europeia de redução de pedidos.
Mudanças nas origens dos requerentes
A análise dos países de origem mostra mudança relevante. Os maiores originários em janeiro-março foram Venezuela, Afeganistão e Bangladesh. A Síria, há anos entre os maiores, caiu para quinto lugar, atrás da Turquia. Sírios somaram 5.556 pedidos, queda de 63%.
Ucrânia também registrou queda expressiva: 4.073 pedidos, -57% no período. Especialistas apontam que, nos últimos anos, sírios e ucranianos tinham forte procura pelo país. Hoje, apenas 9% dos pedidos são de sírios, enquanto afegãos representam 38%.
Controles de fronteira reforçados
O governo federal atribui parte da queda ao reforço de controles de fronteira. O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, intensificou a fiscalização após a posse do chanceler Friedrich Merz, em coalizão CDU/CSU com o SPD. Dados de janeiro indicam redução de entradas ilegais.
Em 2025, a polícia de fronteira registrou 62.526 entradas não autorizadas, ante 83.572 em 2024. O número de 2023 foi de 127.549. Em dezembro de 2025, quedas abruptas foram observadas, com o registro chegando perto de 4.600.
Panorama europeu e impactos
A reportagem indica uma mudança nas tendências migratórias da UE, com distribuição mais uniforme de fluxos e redução geral no volume de pedidos. As autoridades ressaltam que os números refletem políticas internas combinadas a fatores econômicos e de conflito nos países de origem.
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