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Acusado de crimes de guerra contra o soldado australiano mais condecorado

Documentos detalham cinco homicídios atribuídos ao soldado australiano mais condecorado; julgamento ainda pode levar anos

O militar Ben Roberts-Smith deixa tribunal em Sydney
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  • Ben Roberts-Smith, o militar australiano mais condecorado vivo, participou de sua primeira audiência por crimes de guerra em Sydney e permaneceu em silêncio.
  • Ele é acusado de cinco homicídios cometidos no Afeganistão, incluindo supostos assassinatos de prisioneiros algemados, empurrar um detido de um penhasco, ordenar execução de outros em um ritual de iniciação e colocar objetos para encobrir as mortes.
  • Os supostos casos acontecem nos incidentes em Whiskey 108 (12 de abril de 2009), Darwan (11 de setembro de 2012) e Syahchow (20 de outubro de 2012), envolvendo detenções, interrogatórios e mortes sob ordens de Roberts-Smith.
  • Roberts-Smith nega as acusações, afirma que o tema é inédito na Austrália e já perdeu um processo anterior por difamação relacionado a alegações de crimes de guerra.
  • O julgamento deve demorar anos; a defesa recebeu fiança rígida e condicional, com o juiz indicando que a tramitação pode levar longos anos até a apreciação do caso.

Ben Roberts-Smith, o militar australiano mais condecorado ainda vivo, foi formalmente acusado no início deste mês de cinco homicídios cometidos no Afeganistão. A primeira audiência por crimes de guerra ocorreu na sexta-feira (17), via videoconferência, em Sydney, com ele em silêncio.

Novos documentos judiciais, acessíveis à BBC, detalham as acusações: execução de um detido afegão com deficiência, lançamento de um prisioneiro algemado de um penhasco, ordem para que novatos executassem em um ritual de iniciação conhecido como blooding, e colocação de objetos para encobrir os crimes. Roberts-Smith nega as acusações.

O caso envolve ações ocorridas em 2009, no complexo “Whiskey 108” próximo a Tarin Kowt, no Afeganistão, durante operação do SAS. Segundo a acusação, a equipe prendeu dois homens, pai e filho, e houve tiroteios e mortes observadas por testemunhas. O alegado assassinato de Ahmadullah, com prótese na perna, é destacado nos autos.

Em 2012, em Darwan, outro episódio envolve Ali Jan e dois detidos. O material acusa Roberts-Smith de empurrar Ali Jan de um penhasco, com o apoio de companheiros armados, após interrogatório. Um rádio foi colocado ao lado dos corpos para sugerir combate, segundo os documentos.

Quinze dias depois, em Syahchow, surgiram novas mortes durante confronto com insurgentes. A acusação sustenta que os dois homens mortos eram detidos e foram mortos sob ordens de Roberts-Smith, com o uso de granadas e disparos, em posição de combate.

O julgamento continua em atraso. Roberts-Smith aposentou-se em 2012 e deixou o Exército em 2015, após ser condecorado com uma menção honrosa por Serviço Distinto. Em 2018, ele foi alvo de investigações sobre crimes de guerra no Afeganistão, gerando ações judiciais e uma disputa por difamação, da qual saiu vencido.

Segundo os documentos, há elementos comuns entre as supostas mortes: vítimas algemadas, interrogadas e mortas sob controle de forças australianas, sem combate ativo. Há testemunhas que teriam presenciado execuções ou participado de atos, inclusive sob ordens.

A defesa de Roberts-Smith aponta para território jurídico inexplorado na Austrália. O advogado afirmou que as acusações criam precedentes difíceis de sustentar. A equipe jurídica ainda não apresentou detalhes sobre a defesa, e o réu não declarou culpa ou inocência.

Na audiência de sexta-feira, o juiz Greg Grogin concedeu fiança rigorosa e condicional, sinalizando que o desfecho pode levar anos. O processo segue em curso, com a expectativa de andamento legal prolongado.

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