- Os EUA apreenderam um navio de carga de bandeira iraniana que tentava furar o bloqueio no Estreito de Ormuz, colocando em risco o cessar-fogo com o Irã.
- O Irã prometeu retaliação e, por enquanto, recusou-se a participar de novas negociações de paz com Washington, citando o bloqueio contínuo e exigências consideradas irrealistas.
- As negociações, previstas para ocorrer em Islamabad pouco antes do fim do cessar-fogo de duas semanas, enfrentavam impasse, com o Paquistão atuando como mediador.
- O bloqueio dos portos iranianos pelos EUA e as respostas iranianas ao tráfego no Estreito mantêm a pressão sobre o acordo, impactando o abastecimento global de petróleo e elevando preços.
- A China expressou preocupação com a interceptação forçada; o conflito envolve ações militares, com Washington e Teerã trocando acusações de agressão.
O cessar-fogo entre EUA e Irã está sob risco após a apreensão de um navio iraniano por autoridades americanas, que alegam tentar furar o bloqueio naval no Estreito de Ormuz. Teerã prometeu retaliação e, por ora, não participa de novas negociações de paz com Washington.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que os EUA mostramos desrespeito ao processo diplomático e repetiu que as exigências de Teerã não serão flexibilizadas. Os EUA buscavam iniciar negociações no Paquistão, pouco antes do fim do cessar-fogo de duas semanas.
Uma fonte sênior iraniana à Reuters disse que o bloqueio naval dos EUA dificulta as negociações e que as capacidades defensivas do Irã, incluindo o programa de mísseis, não estão abertas a negociação. Em Islamabad, o principal mediador paquistanês disse que Trump respondeu considerar o conselho.
Desenvolvimento diplomático
Os EUA mantêm bloqueio aos portos iranianos, enquanto o Irã suspendeu e reimpôs seu próprio bloqueio no Estreito de Ormuz, rota que movimenta cerca de 20% do petróleo mundial. O preço do petróleo subiu, e os mercados oscilaram com o receio de quebra do cessar-fogo.
As Forças Armadas dos EUA disseram ter aberto fogo contra um navio de carga com bandeira iraniana que se dirigia a Bandar Abbas, após seis horas de impasse. O Comando Central divulgou vídeo de fuzileiros descendo de helicópteros.
O Irã afirmou que o navio vinha da China e chamou a ação de “pirataria armada”. Defesa iraniana informou que está pronta para confrontar as forças americanas, mas limitações existem devido à presença de famílias a bordo.
A China expressou preocupação com a interceptação e pediu que as partes cumpram o cessar-fogo de forma responsável. Teerã reiterou que não participa de novas negociações por enquanto, citando o bloqueio, a retórica de Washington e exigências consideradas excessivas.
Contexto regional
Mohammadreza Aref, primeiro vice-presidente do Irã, publicou nas redes sociais que não se pode restringir exportações de petróleo sem consequências, citando a opção entre um mercado livre para todos ou custos para todos. O governo americano não detalhou novos prazos, mas advertiu sobre possíveis ações caso as condições não sejam atendidas.
Trump havia dito que enviaria representantes a Islamabad, liderados pelo vice-presidente J.D. Vance, para as negociações, com participação de Steve Witkoff e Jared Kushner. Islamabad segue como mediador, com mobilização de forças de segurança na capital.
O Paquistão informou que continua preparando as negociações, enquanto aliados europeus aguardam sinais mais estáveis. A situação aumenta a incerteza sobre o andamento das negociações de paz na região.
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