- O papa Leão XIV denunciou em Saurimo, leste de Angola, que quando a injustiça corrompe os corações “o pão de todos vira propriedade de poucos”.
- Em missa para dezenas de milhares, ele pediu cuidado com a relação utilitária com Deus e criticou a mercantilização da fé.
- O pontífice visitou um abrigo de idosos e ressaltou que Angola possui riquezas, mas grande parte da população vive na pobreza, com a riqueza indo para elites e empresas.
- Estima-se que cerca de 40 mil fiéis participaram da celebração em Saurimo, com outras 20 mil pessoas acompanhando as atividades na região.
- Durante a viagem pela África, o papa já havia falado sobre a necessidade de curar a corrupção e promover justiça e partilha, repetindo a críticas a injustiças estruturais.
O papa Leão XIV denunciou nesta segunda-feira 20, em Saurimo, no leste de Angola, que quando a injustiça corrompe os corações o pão de todos vira propriedade de poucos. O discurso ocorreu durante uma missa diante de dezenas de milhares de fiéis, no terceiro dia da visita ao país.
Acompanhado por uma ampla mobilização popular, o pontífice falou sobre o risco de tratar a fé como instrumento de interesse e lembrou que Cristo não busca servos, mas irmãos. Ele defendeu uma fé autêntica, liberta de comércio ou cálculo, destacando a necessidade de conversão espiritual.
Em meio a um cenário de fortes desigualdades, Leão XIV repetiu que muitos desejos são frustrados pelos violentos e explorados por tiranos, durante a homilia para cerca de 40 mil fiéis, com outras 20 mil pessoas nas áreas próximas. Saurimo fica a mais de 800 km de Luanda, em região de mineração de diamantes.
Contexto social e econômico
Angola detém grandes reservas de petróleo, gás e minerais, mas a riqueza beneficia principalmente uma elite política e econômica, além de empresas estrangeiras. O Banco Mundial aponta que cerca de um terço da população vive abaixo da linha da pobreza.
Antes de encerrar a celebração, o papa percorreu as ruas de papamóvel, sob calor intenso e forte esquema de segurança, cumprimentando a população. A Igreja local atua em infraestrutura pública e assistência social na cidade de cerca de 220 mil habitantes.
Mais cedo, no domingo, em Luanda, ele destacou a necessidade de curar o flagelo da corrupção por meio de uma cultura de justiça e partilha, reiterando a crítica a estruturas de injustiça que afetam povos inteiros.
Na manhã de segunda, Leão XIV visitou uma instituição que abriga cerca de 60 idosos em situação de vulnerabilidade, apoiando pessoas abandonadas pela família ou vítimas de violência. A visita reforçou o tom social de seus discursos na África.
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