- Em Dakar, Senegal, acontece o 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África, nos dias 20 e 21 de abril de 2026, com participação de 38 países, incluindo 18 da África.
- O tema é cada vez mais soberania, integração e estabilidade, com foco em soluções sustentáveis para enfrentar desafios de segurança e terrorismo no continente.
- O presidente do Senegal destacou que a soberania africana é crucial para explorar recursos naturais com benefícios locais e fortalecer a transformação estrutural.
- O terrorismo no Sahel é apontado como principal ameaça, com o Índice de Terrorismo Global indicando que a região concentra mais da metade das mortes por terrorismo em 2025; Mali, Burkina Faso e Níger são os mais afetados.
- Líderes de Serra Leoa e Mauritânia defenderam integração regional e cooperação fronteiriça, associando autonomia a parcerias que respeitem a soberania.
O 10º Fórum Internacional de Dakar sobre Paz e Segurança na África ocorreu nesta segunda e terça, em Dakar, Senegal. O encontro reúne chefes de Estado, representantes de organismos internacionais e especialistas para discutir soberania, integração e segurança continental. O tema central é a busca por soluções sustentáveis para estabilidade na região.
Durante a abertura, o presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, ressaltou que a África enfrenta fraturas comerciais, protecionismo e mudanças climáticas, além de conflitos armados e terrorismo. A soberania e a integração são apresentadas como pilares para transformar recursos naturais em desenvolvimento.
O fórum acontece desde 2014, com apoio do governo senegalês. Nesta edição, participam 38 países, incluindo 18 africanos. Países não africanos também acompanham as discussões, como o Brasil, representado pela embaixadora Daniella Xavier.
Terrorismo no Sahel
Bassirou Diomaye destacou a ampliação da atuação de grupos terroristas ligados ao Islã e à Al-Qaeda a partir da metade da última década, incluindo o Golfo da Guiné. O Sahel é apontado pelo Índice Global de Terrorismo 2026 como epicentro de violência, com mais da metade das mortes globais em 2025.
Especialistas apontam que a instabilidade política em Mali, Burkina Faso e Níger contribui para o aumento dos ataques. Esses países enfrentam golpes militares e insurgências em áreas fronteiriças, o que dificulta o controle das fronteiras regionais.
O presidente do Senegal defende resposta coordenada entre fronteiras, operações conjuntas e compartilhamento de informações para enfrentar o terrorismo, reconhecendo que problemas de segurança de um país afetam os vizinhos.
Política para jovens e integração
Julius Maada Bio, presidente de Serra Leoa, afirmou que a violência cresce onde há falhas de governança e ausência de oportunidades para jovens. Ele defende investimentos direcionados à juventude como estratégia de segurança nacional, não apenas como ação social.
Bio relatou sua experiência na guerra civil de Serra Leoa e destacou que paz envolve dignidade e futuro para a população. Reforçou a necessidade de integração entre países africanos como condição de estabilidade duradoura.
O presidente destacou que integração exige soberania e estabilidade, evitando dependência de modelos externos. Parcerias devem respeitar a autonomia africana e promover a cooperação regional como caminho comum.
Independência com integração
Mohamed Cheikh El Ghazouani, da Mauritânia, apontou tensões identitárias, fragilidades institucionais e efeitos das mudanças climáticas como desafios à coesão social. Ressaltou que independência não implica isolamento, e que a integração é necessária para enfrentar a globalização.
O líder mauritaniano defendeu maior participação africana em decisões internacionais. Segundo ele, reduzir dependências externas e ampliar a voz do continente fortalecem a defesa de seus interesses econômicos e políticos.
Comércio e fronteiras
El Ghazouani defendeu o fortalecimento da Cedeao como motor de transformação econômica. A rede regional facilita o fluxo de bens, serviços e pessoas entre 12 países, fortalecendo a integração econômica africana.
No cenário africano, o fórum também aborda soberania tecnológica, recursos naturais, transição política e indústria de defesa. Delegações ministeriais de diversos países participam das discussões ao longo dos dois dias.
Entre na conversa da comunidade