- O presidente Lula, em Hanôver, afirmou que o Brasil participa da Feira com a plenitude de um país capaz e pretende ampliar a parceria com a Europa, especialmente a Alemanha.
- Disse que o Brasil cansou de ser visto como invisível e de ser tratado como país do terceiro mundo, defendendo multilateralismo e regras globais.
- Lula reforçou que o Brasil pode liderar a transição energética, com matriz elétrica amplamente renovável e papel relevante na produção de biodiesel e etanol.
- A viagem envolve mais de 300 empresas brasileiras, com foco em energia renovável, mobilidade elétrica e digitalização, para reposicionamento internacional.
- O acordo Mercosul–União Europeia deve entrar em vigor em maio de forma provisória; Alemanha vê benefícios, enquanto há competição chinesa e redução de tarifas em alguns itens.
Luiz Inácio Lula da Silva reforçou, em Hanôver, a intenção do Brasil de ampliar a atuação global em energia e tecnologia. Durante a segunda dia da visita à Alemanha, ele afirmou que o país participa da Feira de Hanôver com a plenitude de uma nação capaz, buscando aprofundar a parceria com a Europa, especialmente com a Alemanha. O discurso enfatuiu a defesa do multilateralismo e críticas ao unilateralismo.
O presidente destacou que o Brasil tem condições estruturais para liderar a transição energética. Ele afirmou que o país está preparado para protagonismo na produção de combustíveis renováveis, associando economia estável, tamanho demográfico e credibilidade recente para sustentar a ambição.
Proposta de ganhos na matriz energética
Lula alertou para a competitividade energética brasileira frente a padrões europeus, citando que quase 90% da energia brasileira é renovável e que o país é grande produtor de biodiesel e etanol. Ele criticou custos adicionais decorrentes de exigências tecnológicas na indústria automotiva, defendendo menos impacto no preço de caminhões.
Multilateralismo e governança global
Em seu discurso, o presidente destacou o enfraquecimento das regras multilaterais pós Segunda Guerra Mundial. Afirmou que a força econômica e militar tende a dominar negociações entre países, em detrimento de nações menores. Defendeu mudanças na governança global e mais equilíbrio nas relações internacionais.
Diálogo sobre digitalização e desinformação
Lula comentou sobre impactos da era digital, afirmando que a humanidade está cada vez mais moldada por algoritmos e pelo uso de dispositivos, o que afeta debates públicos. Pontuou que a era das informações verdadeiras enfrenta o desafio da desinformação e da difusão de fake news.
Agenda bilateral e logística da visita
No primeiro dia, Lula e o chanceler alemão, Friedrich Merz, abriram a Feira de Hanôver e deram início a uma série de consultas no Palácio de Herrenhausen. Ao todo, sete ministros brasileiros e oito alemães participam, com foco em comércio, matérias-primas, defesa, digitalização, pesquisa e clima.
Estrutura econômica e participação brasileira
A comitiva brasileira reúne mais de 300 empresas, sinalizando reposicionamento do Brasil como potência industrial e tecnológica. O país já figura entre os maiores operadores de mobilidade elétrica na região, com quase 90% da eletricidade proveniente de fontes renováveis, fortalecendo a narrativa de parceria tecnológica com a Europa.
Relações Brasil-Alemanha e cenário comercial
A Alemanha é o principal parceiro da UE do Brasil, com dezenas de milhares de filiais e operações brasileiras de empresas alemãs gerando empregos e contribuindo para o PIB. No ano anterior, o comércio entre Brasil e Alemanha atingiu cerca de 21 bilhões de euros, reforçando o peso estratégico da parceria.
Mercosul e competição internacional
O acordo Mercosul-UE, previsto para entrar em vigor de forma provisória, passa por revisão judicial no Parlamento Europeu. Enquanto isso, tarifas já zeram em parte do comércio, acirrando a competição com a China, que domina parcela significativa de máquinas vendidas no Brasil. O tema é visto como disputa por influência econômica global.
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