- O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou, em 23 de abril de 2026, a reclassificação da maconha medicinal como droga menos perigosa para facilitar pesquisas e tratamentos aprovados.
- A medida é uma das maiores mudanças na política de drogas dos EUA em décadas e pode trazer alívio fiscal e regulatório a curto prazo para operadores de cannabis medicinal.
- A indústria da cannabis deve movimentar aproximadamente US$ 38 bilhões na América do Norte em 2026, segundo a Statista.
- A reclassificação não legaliza o uso recreativo ou médico em nível federal; cada estado mantém suas regras, e o objetivo é abrir caminhos federais para pesquisa e operação.
- Existe uma audiência marcada a partir de 29 de junho para considerar uma reclassificação mais ampla da maconha para a Lista Três, abrindo possibilidade de mudanças federais adicionais.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira, 23 de abril de 2026, a reclassificação da maconha medicinal como substância menos perigosa. A medida busca ampliar o acesso a terapias aprovadas e apoiar programas regulados pelos estados.
A decisão representa uma das mudanças mais significativas na política de drogas dos EUA em décadas. Estima-se que a indústria da cannabis mova mais de US$ 38 bilhões na América do Norte em 2026, segundo a Statista, com impactos regulatórios e financeiros relevantes.
O alívio tende a ocorrer a curto prazo para operadores de cannabis medicinal, com expectativas de tratamento tributário mais favorável, facilitação de pesquisas e caminhos federais mais claros. Abaixo, as perspectivas de diferentes players do setor.
Anthony Coniglio, CEO da NewLake Capital Partners, aponta que a ação marca um passo histórico para pacientes e operadores, mas ressalva que não resolve questões de uso adulto nem temas bancários; o processo completo ainda é necessário.
Terry Mendez, CEO da Safe Harbor Financial, destaca que a mudança pode eliminar a proibição de deduções comerciais para operadores licenciados, melhorando liquidez e crédito, já que a Seção 280E deixa de se aplicar à maconha listada na Categoria 3.
Betty Aldworth, da MAPS, afirma que a maconha ocupa agora posição regulada pelos estados, com impactos econômicos, de saúde pública e sociais; reforça, no entanto, que reformas adicionais são necessárias para criminalização, prisões e exclusão financeira.
Irwin Simon, da Tilray Brands, acredita que a reclassificação pode acelerar pesquisas clínicas, ampliar acesso e elevar padrões de qualidade e segurança da cannabis medicinal.
Kim Rivers, da Trulieve, afirma que a mudança sinaliza que a maconha pode ter usos medicinais reconhecidos, distinguindo-se de substâncias como a heroína, e apoiando a ideia de inclusão na Lista 3.
Inesa Ponomariovaite, da Nesa’s Hemp, ressalta que benefícios reais dependem de padrões baseados em dados, educação sobre o sistema endocanabinoide e cooperação entre saúde, reguladores e indústria.
Aras Azadian, da Avicanna, comenta que o cenário pós-reclassificação facilita avanços em P&D e traduz para o mercado norte-americano plataformas de medicamentos à base de canabinoides já desenvolvidas no Canadá.
Melissa Sturgess, da Ananda Pharma, aponta que os ensaios clínicos podem acelerar e abrir caminho para um medicamento licenciado à base de CBD para dor da endometriose.
Brett Schuman, da Goodwin, frisa a necessidade de revisar sentenças ligadas a crimes não violentos relacionados à cannabis, parte de uma reforma mais ampla.
Mark Lewis, da Lüt, afirma que continuam as dificuldades de pagamento e fluxo de caixa para dispensários, mantendo incertezas sobre mudanças rápidas.
A reclassificação não legaliza o uso da maconha em nível federal, nem para fins recreativos nem medicinais. O status varia por estado, com cerca de 40 permitindo uso médico e alguns liberando uso recreativo.
A ordem assinada pelo presidente Donald Trump, em dezembro de 2025, voltou a acelerar o processo, seguindo promessa de campanha de facilitar a pesquisa científica. A prática permitira que pesquisadores usem cannabis autorizada pelo estado e que produtores se registrem na DEA.
Receberá uma audiência a partir de 29 de junho para avaliar uma reclassificação mais ampla para a Lista 3, abrindo caminho para mudanças federais adicionais. A decisão poderá orientar futuras estruturas regulatórias e de pesquisa.
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