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Venezuela quer eleições, chavismo não tem pressa; EUA pedem paciência

Oposição apresenta plano de transição para eleições livres, mas chavismo não fixa prazo; EUA pedem paciência e observação internacional para o pleito

Eleitora da Venezuela deposita voto durante eleição presidencial de 2024: opositores pressionam pela realização de novas eleições após a queda de Maduro.
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  • A oposição venezuelana apresentou no dia 12 um plano de transição democrática que prevê eleições livres ao final do processo, em três etapas: estabilização política, recuperação econômica e reconciliação.
  • O plano exige um Conselho Nacional Eleitoral independente, libertação de presos políticos, fim das inabilitações, retorno de exilados e presença de observadores internacionais em um pleito futuro.
  • A líder oposicionista María Corina Machado participou virtualmente do lançamento e disse que a sociedade está pronta para avançar rumo à democracia, sem definir data de retorno.
  • Uma pesquisa divulgada no fim de março mostra que sessenta e quatro por cento dos venezuelanos entendem que as eleições presidenciais devem ocorrer ainda neste ano; oito por cento preferem 2027.
  • Do lado chavista, não há prazo definido para eleições; líderes como Delcy Rodríguez e Jorge Rodríguez sugerem diálogo sem data, enquanto os EUA pedem paciência e destacam avanços como libertação de presos políticos e reformas.

Oposição venezuelana lançou no dia 12 um plano de transição política que prevê eleições livres no país. O foco está na criação de condições para um pleito, em meio à resistência do chavismo e à cautela dos Estados Unidos.

A Plataforma Unitária Democrática (PUD) coordena a proposta, apoiada por mais de 30 mil ativistas. O roteiro prevê três fases: estabilização política, recuperação econômica e reconciliação, com eleições ao final.

A líder oposicionista María Corina Machado participou virtualmente do lançamento, mantendo o discurso de que a sociedade está pronta para avançar rumo à democracia. Ela não definiu data de retorno ao país.

Pesquisas de março indicam apoio a eleições este ano entre 64% dos venezuelanos, com menor interesse para 2027. O estudo ouviu 1.040 pessoas nas principais cidades entre 23 e 29 de março.

Para Dilermando Martins, professor de Direito Internacional, não há sinal de vontade do regime em convocar pleito. Ele aponta uma estratégia de prolongamento do poder pelo chavismo e apoio judiciário para manter o controle.

O que a oposição propõe

Entre os pilares está a criação de um Conselho Nacional Eleitoral (CNE) independente e a libertação de presos políticos. Também faz parte o fim de inabilitações políticas sem devido processo e o retorno seguro de exilados, com observadores internacionais no pleito.

Martins destaca que o registro eleitoral precisa ser resolvido, pois muitos venezuelanos no exterior devem se inscrever para votar em embaixadas. Estima-se que cerca de 4 milhões estejam no exterior.

O lado do governo

Do lado chavista, não há prazo claro para novas eleições. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, afirmou que não é possível dizer quando haverá pleito, lembrando a necessidade de diálogo com a oposição antes de qualquer decisão.

Delcy Rodríguez prometeu eleições livres e justas, mas condicionou o processo ao fim de sanções internacionais e à imprensa. Informações de jornais indicam que o TSJ pode prorrogar o mandato de Delcy com base em ausência temporária do presidente, o que a oposição contesta.

Apenas 69 mil venezuelanos no exterior puderam votar nas eleições de 2024, em meio a críticas sobre o registro eleitoral. O consenso entre especialistas aponta para uma transição política mais longa, com negociações e pressão externa.

A posição dos EUA

O governo dos Estados Unidos tem adotado tom de paciência em relação a eleições. O secretário de Estado, Marco Rubio, reiterou apoio a eleições livres, mas pediu cautela e evitou fixar prazos, destacando avanços obtidos sob a gestão de Delcy Rodríguez.

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