- O governo dos EUA pediu que o delegado da Polícia Federal brasileiro Marcelo Ivo deixasse os Estados Unidos, após monitorar a prisão de Alexandre Ramagem.
- O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, disse que o Brasil “sempre tem a lógica da reciprocidade” e que é preciso aguardar antes de qualquer medida.
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também afirmou que, se houver abuso americano, o Brasil pode reagir com reciprocidade expulsando agentes dos EUA no país.
- O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o pedido norte‑americano não tem fundamento, pois o delegado brasileiro trabalhava em conjunto com autoridades americanas.
- A notícia de hoje immobilizou o governo brasileiro, que passou a avaliar as possibilidades de resposta; o memorando de cooperação entre os dois países permite a presença de delegados de PF no território americano.
O delegado da Polícia Federal envolvido na prisão de Alexandre Ramagem foi expulso dos Estados Unidos pela gestão de Donald Trump, que ordenou a saída do país na noite de segunda-feira (20). A decisão envolve a atuação de autoridades brasileiras em território norte-americano e a reciprocidade entre os dois países.
Questionado sobre uma possível expulsão de agentes norte-americanos que atuam no Brasil, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, disse que o Brasil “sempre tem a lógica da reciprocidade” e que é preciso aguardar antes de adotar qualquer medida. A declaração foi dada a jornalistas nesta terça-feira (21).
O pronunciamento ocorre no contexto de uma disputa diplomática após a ordem norte-americana de remoção de um delegado da PF ligado à prisão de Ramagem, ex-diretor da Abin. A decisão foi comunicada por meio de uma postagem de um gabinete do governo dos EUA, citando suposta tentativa de manipular o sistema de imigração para contornar pedidos de extradição.
Pelo lado brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou que poderá adotar a reciprocidade caso haja abuso por parte dos EUA, caso a avaliação seja de que houve violação à integridade de agentes brasileiros no exterior. Lula fez a observação ao deixar Hannover, na Alemanha, rumo a Lisboa, durante uma etapa de seu giro pela Europa.
Também em Berlim, o chanceler Mauro Vieira afirmou que o pedido americano não possui fundamento, argumentando que o delegado brasileiro trabalhava em cooperação com autoridades americanas. A presença de delegados da PF nos EUA e de agentes norte-americanos no Brasil decorre de memorando de entendimento para cooperação policial.
Na segunda-feira (20), o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental divulgou a solicitação de saída do delegado Marcelo Ivo, apontando que ele monitorou Ramagem antes da prisão e que a medida visa impedir que estrangeiros contornem regras de imigração. A notícia pegou de surpresa o governo brasileiro, que avalia respostas diplomáticas.
O episódio ressalta a importância de um marco de cooperação entre Brasil e EUA, já regulada por acordo bilateral. Autoridades brasileiras mantêm foco em diálogo para evitar escalada e manter a cooperação policial entre as duas nações. O governo segue monitorando a situação para definir próximos passos.
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