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Argentinos recorrem a burro e lhama após alta de 55% no preço da carne

Carne de burro chega a 7.500 pesos por quilo na Argentina, enquanto inflação de carnes atinge 55,1% em março, destacando a crise da ovinocultura na Patagônia

Açougue na Argentina
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  • Em Trelew, Chubut, carne de burro passou a ser vendida a cerca de 7.500 pesos por quilo, aproximadamente R$ 27 na cotação atual.
  • A inflação anualizada de carnes e derivados na Argentina chegou a 55,1% em março, o maior nível desde abril de 2025.
  • A iniciativa, batizada de “Burros Patagones”, é do produtor Julio Cittadini e já teve degustação de pratos com carne de burro, transmitida pela TV La Nación+.
  • O preço da carne bovina também subiu, chegando a mais de 25 mil pesos por quilo (cerca de R$ 90) em alguns locais; a inflação de carnes varia de 33,1% na Patagônia a 61,5% no nordeste.
  • Nos Vales Calchaquíes, o produtor Rogelio Allignani defende a carne de lhama como opção saudável e sustentável, com interesse crescente entre consumidores.

Uma novidade inusitada marcou o debate público na Argentina: em Trelew, na província de Chubut, carne de burro começou a ser vendida a cerca de 7.500 pesos por quilo, equivalentes a aproximadamente R$ 27 na cotação atual. O movimento ocorre em meio a uma inflação anualizada de carnes e derivados de 55,1% em março.

O projeto, batizado de Burros Patagones, é liderado pelo produtor rural Julio Cittadini, da região de Punta Tombo. Para medir a adesão do consumidor, Cittadini promoveu uma degustação aberta com pratos como empanadas, linguiças e assados, acompanhada pela cobertura da emissora La Nación+.

A iniciativa surge no contexto da crise da ovinocultura na Patagônia, atingida por predadores, baixa rentabilidade e condições climáticas adversas. Em contrapartida, a carne de burro é apresentada como alternativa viável, por resistência do animal e menor consumo de recursos em comparação ao gado bovino.

Enquanto isso, a carne bovina tende a permanecer muito mais cara: em alguns pontos do país já ultrapassa 25 mil pesos argentinos o quilo, cerca de R$ 90. A inflação de carnes varia de 33,1% na Patagônia a 61,5% no nordeste, com o Índice de Preços ao Consumidor avançando 32,6% entre março de 2025 e março de 2026.

Carne de lhama

Nos Vales Calchaquíes, a uma distância de mais de 2 mil quilômetros de Trelew, o produtor Rogelio Allignani acompanha o debate e defende a inclusão da carne de lhama na pauta. Produzida em pastagens naturais, sem uso intenso de insumos, a carne tem ganhado interesse entre consumidores que buscam opções mais saudáveis e sustentáveis.

Allignani destacou a baixa gordura intramuscular, alta proteína de qualidade, baixo colesterol e boa digestibilidade, em entrevista ao jornal Clarín. Ele também projeta expansão da atividade como forma de fortalecer economias locais e incentivar a ocupação em zonas áridas.

Além da carne, o produtor atua com derivados, como o leite de burro, associado a propriedades nutricionais e cosméticas. O leite é comparado ao leite humano em alguns aspectos e já encontra mercado na Europa.

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