- Mais de um milhão de sírios seguem refugiados no Líbano, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
- Bombardeios israelenses, desde o início de março, levaram sírios a retornar à Síria; Imad Omar Qashit, de 52 anos, voltou a Maarat al-Numan após perder a casa no sul do Líbano.
- Em 16 de abril houve um cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Líbano, mediado pelos Estados Unidos; mais de 227,5 mil pessoas haviam cruzado para a Síria pelas três passagem oficiais.
- O número de mortos nos ataques ao Líbano supera 2.196, com estimativas sobre sírios entre as vítimas variando entre 39 e 315; Acnur aponta mais de um milhão de refugiados sírios no Líbano, com outros fora das estatísticas oficiais.
- A crise continua: a Síria enfrenta infraestrutura precária e custos de reconstrução estimados em 216 bilhões de dólares; cerca de 15,6 milhões precisam de assistência humanitária e 13,3 milhões vivem com insegurança alimentar; há riscos elevados de minas e munições não detonadas nas áreas de retorno.
O conflito entre Israel e grupos no Líbano ampliou o retorno de sírios ao território sírio. Mais de 1 milhão de sírios vivem refugiados no Líbano, que enfrenta bombardeios desde o início de março. Nesta semana, relatos apontam que parte desses refugiados voltou à Síria devido à escalada do conflito.
Imad Omar Qashit, de 52 anos, abandonou o Líbano pela segunda vez para retornar a Maarat al-Numan, perto de Aleppo. Mísseis atingiram seu bairro, destruíram casas e o levaram a crer que era hora de salvar sua família, segundo depoimento à DW.
Desde março, o Líbano está envolvido no conflito, após o Hezbollah, aliado ao Irã, disparar foguetes contra Israel. O governo israelense respondeu com ataques, agravando a violência na região e empurrando refugiados a buscar abrigo dentro da Síria.
Fluxo de refugiados e cessar-fogo
Na quinta-feira (16/4), um cessar-fogo de 10 dias, mediado pelos Estados Unidos, passou a vigorar entre Israel e o Líbano. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) aponta que mais de 227,5 mil pessoas cruzaram para a Síria pelos três pontos oficiais de passagem. A maioria eram sírios (95%).
As autoridades de saúde do Líbano estimam mais de 2.196 mortes em ataques israelenses ao território. A distribuição por nacionalidade não é publicada; estimativas de sírios entre mortos e feridos variam amplamente, entre 39 e 315, conforme números não oficiais.
A ACNUR aponta que mais de 1 milhão de sírios permanecem registrados como refugiados no Líbano, além de milhares sem documentação, que não entram nas estatísticas oficiais. O cenário é marcado pela precariedade humanitária.
Condição dos retornos
Ao retornar, Qashit encontrou Maarat al-Numan totalmente destruída pela guerra civil síria, encerrada em 2024. A cidade não oferece condições de moradia suficiente, e a família vive temporariamente na casa da irmã.
Outro sírio, Mohammad Jassem al-Brouk, deixou o Líbano há duas semanas. A travessia pela fronteira estava lotada, levando um dia inteiro. Em Qusair, perto de Homs, ele encontra apenas escombros e montou uma barraca para viver, sem intenção de retornar ao Líbano no momento.
Perspectivas e riscos
Uma pesquisa da ACNUR, iniciada no início de abril, indica que cerca de metade dos sírios entrevistados pretende permanecer na Síria a longo prazo, apesar de dificuldades econômicas e serviços públicos limitados. A ausência de infraestrutura agrava a situação de retorno.
Analistas destacam que o Líbano se tornou inviável para muitos refugiados, não porque a Síria esteja pronta para recebê-los, mas pela dificuldade do Líbano em manter políticas de acolhimento estáveis. O governo sírio controla a fronteira, mas não oferece solução para a situação após o retorno.
Desafios humanitários e legados da guerra
A Síria enfrenta danos estruturais, com serviços básicos comprometidos e cerca de 26 milhões de pessoas necessitando de assistência. O Banco Mundial estima custos de reconstrução em aproximadamente 216 bilhões de dólares. A ONU aponta 15,6 milhões de sírios necessitando de ajuda e 13,3 milhões com insegurança alimentar.
A seca de 2025 devastou 95% das culturas de sequeiro, conforme avaliação da ONU. Organizações de direitos humanos alertam que o retorno maciço ocorre sem condições adequadas de infraestrutura, abrigo e serviços básicos.
Especialistas ressaltam ainda o risco de artefatos explosivos deixados no território, com munições não detonadas e minas em áreas que receberam refugiados. Crianças e retornados são particularmente vulneráveis a esses perigos.
O legado da violência perdura mesmo sem conflitos ativos, alimentando riscos à população que permanece na região. Qashit e sua família convivem com a incerteza de um cotidiano marcado pela reconstrução, ainda que a Síria enfrente muitos obstáculos para a retomada plena.
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