- O diretor da AIEA, Rafael Grossi, disse que muitos países debatem em privado a possibilidade de ter armas nucleares, em entrevista à Inside Geopolitics.
- Grossi alerta que uma corrida armamentista nuclear seria um efeito dominó e que o primeiro país a iniciá-la pode pagar um preço alto, com sanções e isolamento.
- Ele reconhece que o regime de não proliferação falhou em impedir que vários estados ingressem no clube nuclear, chamando-o ainda de um dos últimos pontos de estabilidade.
- Grossi critica a estratégia de blefe do Irã e a falta de acesso irrestrito aos inspetores da AIEA, lembrando mortes de líderes de países do Oriente Médio.
- Segundo diplomatas, outros países, entre eles Alemanha, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia, poderiam buscar arsenais nucleares no futuro, gerando preocupação com a segurança regional.
O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou em 13 de abril que a corrida armamentista nuclear é possivelmente inevitável se não houver freio. A entrevista foi publicada no Inside Geopolitics, produzido pela The Economist, em Viena.
Grossi citou relatos de que vários países discutem em privado a aquisição de armas nucleares, incluindo vizinhos do Irã e aliados dos EUA, como Alemanha, Japão, Polônia e Coreia do Sul. O chefe da agência enfatizou que a diplomacia atua para evitar esse cenário.
O dirigente reconheceu que o regime de não proliferação falhou ao impedir a entrada de novos Estados no clube nuclear. Mesmo assim, considera esse regime como um dos últimos pilares de estabilidade num mundo inseguro, segundo ele.
Contexto e desdobramentos
Grossi criticou a estratégia de blefe nuclear associada ao Irã, ressaltando que promessas não bastam diante de um programa nuclear abrangente e de acesso restrito aos inspetores da AIEA. Ele lembrou incidentes que ajudaram a moldar a percepção externa sobre o Irã.
Para ele, líderes de países como Irã, Iraque e Líbia buscaram acordos com o Ocidente, mas acabaram por não dominar o destino de seus programas. O diplomata citou que o único governante com influência regional estável é Kim Jong-un, na Coreia do Norte, hoje sob maior atenção internacional.
Outro ponto destacado é o ceticismo europeu após a invasão da Ucrânia em 2022 e o retorno de Donald Trump ao poder. Autoridades no continente consideram que a Ucrânia poderia ter tido menos vulnerabilidade com arsenal nuclear, segundo relatos obtidos em conversas com diplomatas.
Grossi reiterou que, globalmente, é preferível um mundo sem armas nucleares. Contudo, ele ressaltou que os interesses de cada Estado moldam decisões, o que pode justificar futuras buscas por capacidades atômicas.
Países sob observação
O diplomata listou uma série de nações que, segundo ele, podem estar avaliando seriamente opções nucleares, indo da Europa Oriental à Ásia-Pacífico. Entre os citados, Alemanha, Indonésia, Turquia e Emirados Árabes Unidos aparecem como exemplos de observação internacional.
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