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Jornal dos EUA aponta PCC como potência global do crime

PCC vira potência global do crime, com cerca de quarenta mil integrantes em trinta países, reconfigurando fluxos de cocaína e atuando nos EUA

Reportagem do The Wall Street Journal destaca expansão global do PCC e compara facção brasileira à máfia italiana. (Foto: Reprodução/WSJ)
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  • The Wall Street Journal classifica o Primeiro Comando da Capital como organização criminosa com atuação global, com cerca de 40 mil integrantes em aproximadamente 30 países.
  • A reportagem afirma que o PCC estaria reformulando fluxos globais de cocaína, conectando a produção da América do Sul aos portos da Europa e ampliando presença nos Estados Unidos.
  • Autoridades norte-americanas citadas pela publicação apontam que membros do PCC já foram identificados em estados como Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee.
  • A matéria compara o PCC à máfia italiana, descrevendo a facção como um “governo do mundo ilegal” com alta organização, disciplina interna e códigos rígidos.
  • Além do tráfico de drogas, o jornal aponta atuação em mineração de ouro, exploração de madeira, tráfico de pessoas e outros setores, incluindo recrutamento dentro e fora de presídios e a estrutura conhecida como “brigada da gravata”.

O The Wall Street Journal classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) como uma organização criminosa com atuação global e estrutura semelhante à de uma multinacional. A reportagem, publicada nesta segunda-feira (20), afirma que o PCC se consolidou como uma das maiores facções criminosas do mundo.

Segundo o veículo, o grupo estaria reformulando fluxos globais de cocaína, conectando a produção da América do Sul aos principais portos da Europa e ampliando a presença nos Estados Unidos. Autoridades norte-americanas citadas pela matéria afirmam que integrantes ligados ao PCC já foram identificados em estados como Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee.

A matéria aponta que o PCC teria cerca de 40 mil integrantes, atuando em aproximadamente 30 países e presente em todos os continentes, exceto a Antártida. Nos EUA, existem discussões sobre classificar o grupo como organização terrorista estrangeira, medida que enfrenta resistência do governo brasileiro. O jornal descreve uma organização interna com alto nível de disciplina, semelhante ao funcionamento de grandes empresas.

Os documentos citados destacam que os integrantes mantêm um perfil discreto e empresarial, buscando riqueza mais do que notoriedade. O PCC adota códigos rígidos de conduta e realiza rituais de entrada, em alguns casos por videoconferência, conforme a reportagem.

Estrutura e atuação internacional

Especialistas ouvidos pelo veículo veem o PCC como uma forma de “governo do mundo ilegal”, capaz de regular atividades criminosas e organizar cadeias de tráfico internacionais. A comparação com a máfia italiana é ressaltada pela publicação, que aponta infiltração em comunidades e diversificação de atividades ilícitas.

Entre as estratégias mencionadas estão o uso de igrejas para lavagem de dinheiro e investimentos em setores como postos de combustíveis, construção civil e fundos imobiliários. A facção também atua no recrutamento dentro e fora de presídios, com apoio jurídico a membros, prática associada à estrutura mencionada como “brigada da gravata”.

Além do tráfico de drogas, o PCC ampliou a atuação para áreas como mineração de ouro, extração de madeira, tráfico de pessoas, pesca ilegal e exploração de comunidades. A reportagem observa ainda que a estrutura descentralizada facilita a expansão sem controle territorial direto, dificultando o combate por autoridades.

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