- Omer Bartov lança o livro Israel: What Went Wrong? defendendo que o Zionismo original, orientado pela libertação, se transformou em colonialismo de asentamento e ethno-nacionalismo, contribuindo para o que ele classifica como genocídio em Gaza.
- O autor, historiador de origem israelense que vive nos EUA, afirma que a indiferença em relação ao sofrimento palestino se espalhou na sociedade israelense atual.
- O livro analisa como a independência de Israel, em 1948, encerrou a ideia de seguir caminhos liberais, como uma constituição e direitos civis, o que, segundo ele, mudou a natureza do Estado.
- Bartov propõe uma saída diplomática viável chamada “A Terra para Todos”, que prevê dois estados soberanos lado a lado, com liberdade de circulação, mas voto apenas em eleições nacionais do respectivo estado.
- O autor sustenta que o apoio dos Estados Unidos é essencial para o rumo da região e que mudanças no apoio americano poderiam empurrar Israel a aceitar a diplomacia, visto como a melhor aposta para paz futura.
Omer Bartov, historiador de Holocausto, lança um livro que analisa a transformação do sionismo desde a sua origem até uma leitura que ele classifica como conjunto de settler colonialism e ethno-nationalism. O título é Israel: What Went Wrong?, publicado recentemente pela Farrar, Straus and Giroux.
O livro investiga como, segundo Bartov, o ideal inicial de igualdade e cidadania para todos os habitantes de Israel ficou comprometido pela prática de domínio sobre territórios ocupados. O autor apresenta o que chama de sinos originais que teriam moldado uma identidade política atual marcada pela exclusão de direitos de palestinos.
Bartov, professor de Brown University, traz uma visão histórica apoiada em décadas de pesquisa sobre o Holocausto, antissemitismo e políticas de memória. Ele afirma que a memória do Shoah foi instrumentalizada para fins políticos, funcionando como uma camada justificatória para ações de violência.
O autor não pretende minimizar os horrores do passado, mas argumenta que a forma como a memória é usada molda a psique e a ideologia de Israel hoje. Ele sustenta que o sionismo combinou duas correntes: libertação de um povo e reivindicação territorial de um estado, o que, na sua leitura, criou tensões estruturais.
O que mudou desde 1948
Bartov aponta falhas na construção constitucional de Israel: a decisão de não adotar uma constituição e de não reconhecer plenamente os direitos de cidadãos palestinos. O pesquisador sustenta que esse caminho influenciou a evolução de uma democracia liberal com falhas estruturais.
O historiador, que serviu no exército israelense em zonas de conflito, afirma que o nascimento de Israel manteve uma lógica de segurança e exclusão. Ele defende que, sem reformas institucionais, o país pode permanecer preso a ciclos de violência.
Bartov apresenta uma linha alternativa, centrada em uma coabitação entre israelenses e palestinianos, com um modelo inspirado em confederação entre estados reconhecidos por fronteiras pré-1967. O autor admite ser uma proposta distante no momento atual.
Pressões externas e consequências políticas
Segundo Bartov, o apoio dos Estados Unidos é crucial para o equilíbrio regional. A deterioração da opinião pública internacional sobre a condução da guerra em Gaza tem impacto direto sobre o apoio político a Israel, especialmente entre eleitores democratas.
O autor também comenta a erosão do apoio entre alguns republicanos, citando fatores como a hostilidade a guerras prolongadas. Ele sugere que mudanças de postura externa podem forçar Israel a revisions estratégicas, incluindo maior espaço para diplomacia.
Bartov reforça que a discussão não se encerra na leitura de um único conflito. O livro analisa como o que ele vê como uso instrumental da memória histórica alimenta críticas externas e internas e desdobra impactos sobre políticas de defesa e relação com a diáspora.
O autor revela que, apesar das controvérsias, mantém relação pessoal com Israel: visitou o país pela última vez em 2024. Ele descreve o choque de ver a vida cotidiana enquanto a violência ocorre nas proximidades, o que o deixa ciente de sua própria posição moral e histórica.
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