Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Por que é difícil substituir o petróleo por energia limpa

Conferência de Santa Marta ganha relevância diante da resistência de grandes produtores à transição energética, dificultando a redução de fósseis

Combustíveis fósseis são os principais responsáveis pela mudança climática, mas alerta econômico surtiu mais efeito que o ambiental
0:00
Carregando...
0:00
  • A guerra no Irã evidenciou a dependência de combustíveis fósseis e colocou em foco a transição para matrizes renováveis.
  • A Conferência Mundial de Energias Renováveis será em Santa Marta, Colômbia, nos dias 28 e 29 de abril, com presença de muitos produtores; Estados Unidos, China, Arábia Saudita e Rússia não vão participar.
  • A ausência dos principais players mostra o desafio de interesses dos fósseis para avançar na transição; o lobby de energia nos EUA é considerado muito influente.
  • Ainda assim, há avanços: fontes renováveis representaram quase metade da matriz global em 2025; China lidera em geração de renováveis e houve redução de contas de luz em alguns mercados.
  • O presidente Lula disse que o Brasil pode ajudar a União Europeia a descarbonizar e reduzir custos de energia, em meio a metas de participação de renováveis na UE.

O fechamento do Estreito de Ormuz e ataques a infraestrutura no Golfo Pérsico reacenderam o debate sobre a transição global para energias renováveis. A escalada elevou os preços de energia e reacendeu a urgência de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, segundo analistas.

A afirmação veio de Fatih Birol, presidente da AIE, que classificou o momento como inédito e mais grave que crises anteriores de petróleo, incluindo 1973, 1979 e 2022. O cenário atual é alimentado pela tensão entre o Irã e regiões produtoras, impactando mercados.

A conjuntura internacional levou a mais de 50 países a se organizarem para a primeira conferência mundial sobre energias renováveis, em Santa Marta, Colômbia, nos dias 28 e 29 de abril. O objetivo é impulsionar a transição energética, diante das falhas de edições passadas da COP.

A conferência, organizada pela Colômbia em parceria com a Holanda, reunirá ministros de nações com grande participação na produção de combustíveis fósseis, como Brasil, Austrália, Canadá, Noruega, México e Turquia, além de Alemanha, França e Reino Unido. EUA, China, Arábia Saudita e Rússia não participarão.

Especialistas destacam o papel do lobby do petróleo na política global. O setor de energia e recursos naturais mantém uma forte influência no Congresso americano, com cerca de 2,2 mil lobistas e gastos que superaram outros setores no primeiro semestre de 2023, de acordo com o OpenSecrets.

No contexto interno dos EUA, as ações do governo de Donald Trump e a agenda pró-petróleo continuam a influenciar a agenda climática. Desde o início de 2026, houve ofensivas militares envolvendo petróleo, além de reformas tributárias que ampliam concessões de perfuração e exploração de terras para mineração.

O debate sobre transição energética também envolve a visão de que cortes abruptos em combustíveis fósseis gerariam impactos econômicos globais, inclusive para grandes compradores de hidrocarbonetos. Especialistas ressaltam a necessidade de investimento para reduzir a dependência mundial de petróleo.

Entretanto, alguns avanços existem. Em 2025, as fontes renováveis chegaram a representar quase metade da matriz global, segundo a Agência Internacional de Energia Renovável. Ainda assim, as emissões associadas aos combustíveis fósseis atingiram recordes no ano anterior.

A China emerge como líder na expansão de renováveis, com aumento significativo de energia eólica e solar. Países como Paquistão registraram alta participação de solar na geração. Em alguns lugares, houve queda de tarifas de eletricidade associadas a matriz limpa.

Na Alemanha, a energia de fontes renováveis já responde por 63% da eletricidade, frente a 19% em 2010. Contudo, na União Europeia como um todo, a participação de renováveis permanece abaixo de 25%, longe da meta de 42,5% para 2030.

Durante a visita a Hannover, o presidente Lula afirmou no Ceará que o Brasil pode ajudar a UE a reduzir o custo de energia e acelerar a descarbonização por meio de biocombustíveis. A posição envolve acordos comerciais e limitações ambientais na importação de etanol.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais