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Sudão: três anos de guerra esquecida, cada vez mais mortal

Sudão completa três anos de guerra civil, com mortes, fome e crise humanitária agravada pelo uso crescente de drones

Campo de refugiados no Chade, para onde milhares de sudaneses fugiram da guerra. (Foto: Henry Wilkins/VOA/Wikimedia Commons)
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  • O conflito no Sudão completa três anos e é considerado, pela ONU, o mais mortal entre os que estão ativos hoje e a maior crise humanitária do mundo.
  • Estima-se que quase 15 milhões de sudaneses (cerca de um terço da população) foram forçados a deixar suas casas; cinco milhões cruzaram a fronteira, buscando abrigo em campos vizinhos.
  • Os números de mortos variam: o governo aponta cerca de 60 mil, mas especialistas indicam possibilidade de até 400 mil.
  • O uso crescente de drones pela RSF e pela SAF ampliou a violência, com ataques em Porto Sudão e no restante do país, incluindo mortes de civis e danos a infraestrutura.
  • A violência envolve a disputa entre as Forças Armadas do Sudão (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF), com aliados internacionais rivais e negociações internacionais sem avanço significativo devido a divergências entre Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Egito.

O Sudão completa três anos de guerra civil que, segundo a ONU, é o conflito ativo mais mortífero e a maior crise humanitária do planeta. A violência persiste mesmo com a disputa entre exército e milícias, afetando milhões de civis.

Estimativas apontam que quase 15 milhões de sudaneses foram deslocados, o que representa cerca de um terço da população. Cinco milhões cruzaram fronteiras, buscando refúgio em campos nos países vizinhos. O número de mortos varia: governo aponta ~60 mil, especialistas chegam a 400 mil.

A origem do conflito envolve o controle do país entre as Forças Armadas do Sudão SAF e as Forças de Apoio Rápido RSF, apoio internacional às respectivas partes. O Egito e a Arábia Saudita respaldam as SAF; os Emirados Árabes Unidos aparecem como aliado da RSF.

O conflito e seus atores

O tema envolve interesses regionais: o Egito vê no Nilo a base para água, enquanto a Arábia Saudita busca garantia da costa sudanesa, incluindo Porto Sudão. Os Emirados não confirmam financiamento às RSF, mas atuam no mercado de ouro extraído pela milícia. Os EUA lideram negociações via o grupo Quad, com divergências entre os copatrocinadores regionais.

Reuniões em Paris, Londres e Berlim mostraram dificuldade de consenso entre EUA, Egito, Arábia Saudita e Emirados, dificultando uma declaração conjunta de apoio a um acordo de paz. As divergências entre aliados têm atrasado progressos em assistência humanitária.

Crise humanitária e indicadores

Organizações como ONU, Human Rights Watch e Anistia Internacional alertam para assassinatos indiscriminados e violações de direitos, comparáveis a episódios do Darfur entre 2003 e 2005. Em El Fasher, no Darfur Norte, o cerco de 18 meses terminou com a tomada pela RSF no fim de outubro, gerando relatos de violência contra civis.

Estudos com imagens de satélite indicam que, após a captura da cidade, há queda de atividade civil e fluxo de caminhões com fardos possivelmente de corpos, levando o Conselho de Direitos Humanos da ONU a emitir alerta internacional. A guerra se expandiu para além de Cartum e Darfur, chegando a Kordofan.

Avanços tecnológicos e consequências

O uso de drones intensifica o conflito, com um ataque a Porto Sudão em maio de 2025, atribuído à RSF por analistas, ainda que sem confirmação. A tecnologia permite ampliar a frente de combate a baixo custo, com impacto sobre infraestrutura civil e civis.

Relatórios da The Economist destacam que as aeronaves usadas no Sudão são pesadas, mas drones MALE oferecem alcance e letalidade maiores. Nos primeiros três meses de 2026, ataques com drones causaram mais de 700 mortes, incluindo 80% das mortes de crianças, segundo fontes de análise.

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