- O livro A eleição do papa Leão XIV – a última surpresa do papa Francisco, de Elisabetta Piqué e Gerard O’Connell, reconstitui os dias entre a morte de Francisco e a eleição de Robert Francis Prevost, o primeiro papa americano, em maio do ano passado.
- Prevost sabia que era candidato, mas entrou no conclave convencido de que um americano não seria eleito; o livro aponta que o argentino Leão XIV ajudou a viabilizar a eleição por meio de uma campanha discreta nos bastidores.
- Leão XIV, nascido em Chicago, é visto como sereno e pragmático, com experiência pastoral no Peru; o livro sustenta que o papa Francisco criou condições para a eleição de Prevost, que ele chama de santo, sem indicar premeditação direta.
- Em relação a Donald Trump, o papa não iniciou o confronto, mas não recuou de defender o Evangelho e a paz; analistas veem isso como continuidade do soft power vaticano, adaptada ao contexto atual.
- O pontificado de Leão XIV, ainda no primeiro ano, tem feito nomeações e sinalizações internas, mantendo o foco em diálogo, migração e família; o livro também destaca a condução gradual de reformas e a preparação para eventos como viagens internacionais e encontros sobre Amoris Laetitia.
Elisabetta Piqué, famosa vaticanista argentina, lança livro em coautoria com o marido sobre a eleição do papa Leão 14. A obra reconstitui, com detalhes, o período entre a morte de Francisco e a eleição do primeiro papa americano. O lançamento ocorreu na Europa, em inglês, francês e espanhol; ainda não há data de publicação no Brasil.
O livro The Election of Pope Leon XIV — The Last Surprise of Pope Francis afirma que Prevost sabia da candidatura, mas acreditava que nenhum americano seria eleito. Segundo a autora, Francisco lançou sinalização de que não apoiaria alguém da ala mais conservadora, facilitando a candidatura de Prevost por meio de articulação discreta.
Leão 14, nascido em Chicago, é apresentado como um pastor tranquilo, com formação em matemática e direito canônico, que viveu parte de sua vida no Peru. O texto sustenta que o pontífice manteve o estilo sereno de Francisco, mas adotou postura mais pragmática ao lidar com questões internacionais.
O livro destaca a reação do Vaticano aos posicionamentos de Donald Trump. Leão 14 afirmou que a guerra não é justa e defendeu migrantes venezuelanos, sem confrontar diretamente Washington. A vaticanista aponta que o papa não busca confronto, mas mantém manifestações públicas de compromisso com a paz.
De acordo com Piqué, o contexto histórico pesa: o papa americano aproveita compreensão da política dos EUA para ampliar o alcance de sua atuação global. A autora argumenta que o uso do soft power pelo Vaticano continua relevante e que a especificidade de Leão 14, com experiência pastoral internacional, é uma força para o pontificado.
A entrevista completa com Piqué e Gerard O’Connell, publicada pela BBC News Brasil, aborda o que já é visto como traços iniciais do pontificado. A autora assinala que o papa seguiu caminhos de continuidade com o legado de Francisco, ainda que sem imitá-lo, mantendo foco em paz, dialogue e atuação global.
Na avaliação de Piqué, Leão 14 mantém uma linha de nomeações estratégicas. A troca de líderes de dicastérios e a promoção de leigos e mulheres em cargos de relevância indicam continuidade com reformas gradualistas. Ela também enfatiza a importância de tratar Amoris Laetitia com serenidade e promover encontros internacionais.
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