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Governo Lula reage à expulsão de delegado da PF e eleva tensões com EUA

Brasil reage à expulsão de delegado da PF pelos EUA; reciprocidade aumenta atrito diplomático e complica a aproximação entre Lula e Trump

Foto colorida mostra os presidentes Trump (EUA) e Lula (Brasil) - Metrópoles
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  • Relações Brasil–Estados Unidos voltaram a ficar tensas após os EUA expulsarem um delegado da Polícia Federal que atuava como elo com o ICE, em Washington.
  • O Brasil respondeu com reciprocidade: a PF retirou as credenciais de um agente de imigração dos EUA, em Brasília, como resposta ao episódio.
  • O delegado Marcelo Ivo de Carvalho atuava como liaison entre autoridades brasileiras e o Departamento de Segurança Interna e já havia estado envolvido na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem.
  • O Itamaraty criticou a medida norte-americana, dizendo que houve violação de boa prática diplomática por não haver comunicação prévia ou pedido de esclarecimentos.
  • O impasse ocorre em meio a atritos anteriores entre os dois países e aumenta a complexidade de uma possível reunião entre Lula e Trump no curto prazo.

O governo brasileiro reagiu à decisão dos Estados Unidos de expulsar um delegado da Polícia Federal que atuava como elo com o ICE. A medida ocorreu na semana passada e elevou a tensão nas relações bilaterais entre Brasil e EUA, já abalada desde o início do mandato de Lula. A PF informou que adotou reciprocidade na resposta.

O delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que comandava a cooperação com o Departamento de Segurança Interna, foi afastado por suposta tentativa de interferir em processo de extradição. Ramagem, ex-deputado, foi detido pelo ICE em Orlando e liberado dois dias depois, provocando desentendimentos diplomáticos entre os dois governos.

No dia seguinte, durante viagem à Europa, Lula comentou que o Brasil poderia responder pela mesma via caso haja abuso americano. Em 22/4, a PF retirou credenciais de um agente de imigração dos EUA em Brasília, segundo o governo brasileiro, como resposta à ação de reciproca. O Itamaraty questionou a forma de condução da expulsão.

Christiano Figuerôa, diretor do Departamento de América do Norte do Itamaraty, participou de reunião com a encarregada de negócios dos EUA no Brasil, Kimberly Kelly, um dia antes da mobilização brasileira. O Itamaraty afirmou que a medida dos EUA não respeitou boa prática diplomática nem os mecanismos de cooperação bilateral.

Mais tarde, Lula divulgou vídeo elogiando a atuação da PF e sugeriu que as relações só voltariam ao normal com disposição de diálogo dos norte-americanos. O Ministério das Relações Exteriores reforçou que a interrupção das atividades ocorreu sem aviso prévio ou pedido de esclarecimentos.

A atual crise ocorre em meio a atenções sobre a possível classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos EUA, o que pode ter consequências jurídicas e diplomáticas. O tema já era visto como limitador para uma convergência entre as duas nações.

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