- As negociações diretas entre Israel e Líbano serão retomadas em Washington na quinta‑feira (23), em meio à instabilidade no sul libanês e pressão por solução diplomática. Israel cobra ação direta de Beirute contra o Hezbollah.
- Beirute deve pedir aos mediadores americanos a prorrogação do cessar‑fogo por mais um mês, além da suspensão imediata de bombardeios na presença militar. O cessar‑fogo atual vence no domingo (26).
- Três pessoas morreram em ataques aéreos israelenses no Líbano nesta semana, apesar da trégua em vigor, que tem sido dificultada pela violência.
- A França confirmou a morte de um segundo soldado da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) em emboscada reivindicada pelo Hezbollah, que nega envolvimento; Macron homenageou os militares.
- O conflito intensifica a crise humanitária no Líbano, com mais de 62 mil residências destruídas ou danificadas em seis semanas, conforme o Conselho Nacional de Pesquisa Científica.
- O Brasil, por meio do Itamaraty, pediu respeito à soberania libanesa e cumprimento da Resolução 1701 da ONU, além de encerrar a ocupação e apoiar retorno de deslocados.
Israel e Líbano voltam a negociar na quinta-feira (23), em Washington, diante de uma trégua fragilizada no sul libanês. As conversas diretas visam reduzir violações e avançar uma solução diplomática para o conflito.
Do lado israelense, o tom foi duro ao pedir atuação direta de Beirute contra o Hezbollah, grupo pró-iraniano presente no território libanês. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, convocou o governo libanês a cooperação na defesa contra o que chamou de Estado terrorista.
Do outro lado, Beirute busca evitar nova escalada militar. Uma fonte oficial citada pela AFP diz que o Líbano deverá pedir aos mediadores americanos a prorrogação do cessar-fogo por mais um mês e a suspensão imediata de bombardeios e operações de destruição em áreas com presença militar.
O cessar-fogo atual vence no domingo (26), mas a aplicação tem enfrentado dificuldades. Nesta quarta, ataques aéreos israelenses no Líbano deixaram três mortos, apesar da trégua, segundo autoridades libanesas.
Pressão internacional
A morte de dois militares franceses na agressão no sul do Líbano aumentou a pressão internacional. O cabo Anicet Girardin faleceu em decorrência de ferimentos, após o ataque que já havia tirado a vida do suboficial Florian Montorio. Outros dois franceses ficaram feridos.
O presidente francês, Emmanuel Macron, homenageou os dois militares e confirmou que o ataque foi atribuído ao Hezbollah por autoridades francesas e da ONU, que negam envolvimento direto do grupo no ataque.
Este episódio eleva o saldo de baixas francesas desde o início do atual ciclo de violência no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro com ataques aéreos e retaliações na região.
Impactos no Líbano
O conflito acentuou a crise humanitária no Líbano. O Conselho Nacional de Pesquisas do país informa que mais de 62 mil residências foram destruídas ou danificadas em cerca de seis semanas de confrontos, com 21.700 casas destruídas e 40.500 danificadas em cerca de 45 dias.
França tem atuado para ampliar a via diplomática. Ao receber Nawaf Salam em Paris, Macron pediu que as negociações ganhem tempo e que as partes consolidem a trégua, sem novas ofensivas, para preparar o diálogo em Washington.
Reações internacionais
O Brasil expressou apoio ao cessar-fogo e pediu respeito à soberania libanesa. O Itamaraty pediu o fim da ocupação israelense no sul do Líbano, retorno dos deslocados e cumprimento integral da Resolução 1701 da ONU, que encerrou a guerra de 2006.
Fonte: AFP
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