- Governo americano solicitou a saída do país do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava com o ICE e participou da prisão do deputado cassado Alexandre Ramagem.
- Lula afirmou que o Brasil pode reagir com reciprocidade se a expulsão for confirmada, em tom de retaliação caso haja abuso/ingerência, segundo declarações em Hannover.
- O Itamaraty, via embaixada em Washington, acompanhava o caso, sem ainda ter recebido comunicado formal dos Estados Unidos até o fim da tarde.
- Ramagem foi preso pelo ICE nos EUA, liberado dois dias depois; ele aguarda decisão sobre o pedido de asilo político em Orlando, enquanto responde a processo no Brasil.
- A PF apresentou substituição de Marcelo Ivo por Tatiana Torres como oficial de ligação no ICE, em meio a uma mudança de atuação conjunta com autoridades americanas.
O governo americano solicitou a saída do Brasil de um delegado da Polícia Federal que atua em parceria com o ICE, braço de repressão a imigrantes dos EUA. A decisão foi comunicada por meio de uma postagem do Escritório do Hemisfério Ocidental nos canais oficiais, sinalizando alegada manipulação do sistema de imigração por um funcionário brasileiro. O caso envolve diretamente a cooperação com autoridades norte-americanas.
Segundo informações, o delegado Marcelo Ivo de Carvalho atuava na prisão do ex-chefe da Abin, Alexandre Ramagem, na semana passada. O governo brasileiro informou que aguarda esclarecimentos oficiais das autoridades dos EUA sobre os motivos da expulsão e que o Itamaraty acompanha o caso pela embaixada em Washington e pela Secretaria de Relações Exteriores em Brasília.
Lula afirmou, durante entrevista em Hannover, que o Brasil poderá usar o princípio da reciprocidade caso a expulsão seja oficializada. O presidente ressaltou que não aceitará ingerência ou abuso de autoridade de autoridades americanas. A declaração ocorreu enquanto o Itamaraty ainda aguardava uma comunicação formal do governo dos EUA.
Entenda o que aconteceu e quem está envolvido
Até a tarde de terça-feira, não havia comunicado formal do governo dos EUA ao Itamaraty. O chanceler Mauro Vieira, que integra a comitiva de Lula na Europa, afirmou que a posição brasileira não considera as postagens em redes sociais como comunicação oficial.
A PF informou que o delegado em Miami trabalha com autoridades americanas há dois anos, com base em memorando de entendimento. A troca de funções na Polícia Federal previa a substituição de Carvalho por Tatiana Torres como oficial de ligação no ICE.
Ramagem foi preso nos Estados Unidos por questões ligadas ao seu passaporte. Ele já tinha sido condenado no Brasil em processo envolvendo crimes de organização criminosa e golpe de Estado, e estava sob monitoramento após deixar o país para buscar asilo. A Interpol mantém Ramagem na lista de procurados internacionais.
A pressão sobre o policial brasileiro surge no contexto da cooperação entre Brasil e EUA, que se complicou após decisões que ampliaram a distância entre os dois governos. A embaixada americana em Brasília permanece em posição de aguardar esclarecimentos formais sobre o caso.
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