- O Wall Street Journal destaca o PCC como grupo discreto e profissional, que busca fortuna e evita violência gratuita.
- A facção teria cerca de quarenta mil membros e operação em quase trinta países, incluindo uma “Divisão Norte-Americana” para atividades nos Estados Unidos.
- Cocaína continua sendo o principal negócio, com uso de redes financeiras, fintechs e até igrejas evangélicas para lavagem de dinheiro (narcopentecostalismo).
- O PCC mantém acordos com organizações globais (Ndrangheta, Yakuza, gangues balcânicas), em uma estrutura mais horizontal que facilita parcerias e expansão.
- Nos EUA, há operações identificadas em vários estados; no Brasil, o Porto de Santos é utilizado para escoar droga, e há casos de indivíduos ligados ao PCC investigados ou indiciados, além de ativos estrangeiros confiscados.
O Wall Street Journal publicou na segunda-feira, 20, uma reportagem sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC), destacando o poder financeiro, organizacional e bélico da facção. O texto aponta que o PCC atua com uma divisão específica para operações destinadas aos Estados Unidos, dentro de um contexto de cooperação Brasil-EUA no combate ao crime organizado transnacional.
A matéria descreve o PCC como grupo criado em prisões de São Paulo para reivindicar melhorias para detentos, que evoluiu para estrutura complexa, com tentáculos no mercado internacional de drogas. Segundo a reportagem, o PCC conta com cerca de 40 mil membros entre unidades prisionais e ruas, além de uma ampla rede de afiliados, operando em quase 30 países.
A reportagem cita entrevistas com autoridades brasileiras, como o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco, e o pesquisador Bruno Paes Manso, além de trabalhar com dados de autoridades americanas sobre o impacto da facção fora do Brasil. O veículo ressalta o perfil discreto do PCC, que busca fortuna e não fama, evitando violência gratuita.
Divisão norte-americana
O texto indica que o PCC criou uma divisão norte-americana para gerenciar operações no exterior, com foco na cocaína como principal negócio. O relatório cita a apreensão de ativos de Diego Gonçalves do Carmo, preso no Brasil, que teria lavado cerca de US$ 240 milhões para o PCC nos EUA, e continua a colaborar com as operações financeiras, segundo a reportagem.
Autoridades americanas teriam identificado indivíduos ligados ao PCC em estados como Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee. Em Massachusetts, o Ministério Público dos EUA acusa 18 brasileiros ligados ao PCC por tráfico de pistolas, rifles, espingardas e fentanil.
O jornal descreve o uso de redes globais para facilitar a entrada de cocaína produzida na Amazônia a partir de Colômbia, Peru e Bolívia, com escoamento pelo Porto de Santos. O PCC teria dominado territórios, rompido pactos com outras facções, subornado autoridades e eliminado intermediários de fronteira.
Mergulhadores e soldadores ligados ao PCC teriam sido presos, ajudando a ocultar grandes volumes de droga em navios com destino à Europa e à África, incluindo armazenagem de até meio tonelada em compartimentos subaquáticos.
Convergência criminosa
A reportagem aponta uma organização mais horizontalizada, com menos rigidez hierárquica, o que facilita parcerias com outras organizações criminosas de peso, como a italiana Ndrangheta, a japonesa Yakuza, além de gangs albanesas e sérvias. Essas alianças são descritas como convergência criminosa, segundo o promotor Gakiya.
O material reforça que as autoridades brasileiras não buscam eliminar o PCC, mas gerenciar sua convivência com o Estado, o que pode gerar frustração ou perplexidade entre investigadores pela complexidade das ligações entre criminosos e estruturas estatais.
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