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Após início da guerra no Irã, Lula aumenta tom contra Trump

Após a guerra no Irã, Lula intensifica críticas a Trump, com dezoito ataques em cinquenta e dois dias, sinalizando inflexão nas relações Brasil-EUA

De "amor à primeira vista" a "imperador": como Lula mudou o tom em relação à Trump depois do início da guerra no Irã
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  • Lula começou 2026 elogiando Trump, mas com o início da guerra no Irã passou a criticá-lo com mais intensidade, tendo feito dezoito declarações em cinquenta e dois dias.
  • O giro europeu de Lula, em Espanha, Alemanha e Portugal, teve agenda econômica e diplomática, com encontros em Barcelona, Hannover e Lisboa, além de participação no Fórum Democracia Sempre para ampliar as críticas a Trump.
  • Em Barcelona, o presidente brasileiro elogiou a Espanha por não ceder à pressão dos EUA para entrar no conflito e pediu ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas que encerre os conflitos internacionais.
  • Em Lisboa, Lula ironizou a ideia de premiar Trump com o Nobel da Paz e reforçou críticas a guerras e a bloqueios, incluindo o de Cuba, além de defender participação de países em fóruns multilaterais.
  • O embate com os EUA envolve possíveis impactos no comércio, como Pix e etanol, e há tentativa de realizar encontro entre Lula e Trump ainda em 2026, possivelmente em julho ou setembro na Assembleia Geral da ONU.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou de elogios a Donald Trump no início de 2026 para críticas mais veementes após o início da guerra entre EUA/Israel e Irã. Em 52 dias, ele emitiu 18 frases que miram o líder norte-americano, ampliando o tom de confronto diplomático.

A guinada ocorreu a partir de 28 de fevereiro, quando o conflito no Irã começou. Lula manteve agenda diplomática na Europa entre 16 e 21 de abril, com visitas a Espanha, Alemanha e Portugal, enquanto o tema central passava a incluir críticas ao comportamento de Trump e a defesa de posições independentes do Brasil.

Contexto e giro na relação com Trump

Antes da guerra, o tom era cordial: o governo brasileiro chegou a classificar Trump como amigo, com menções a “amor à primeira vista”. Após o início dos conflitos, as declarações de Lula passaram a questionar a condução de Trump em temas como democracia, intervenções militares e política externa.

No radar das críticas estiveram ainda o bloqueio a Cuba, a ofensiva contra a Venezuela e as tensões sobre o Pix, sistema de pagamentos brasileiro. De forma reiterada, Lula associou as ações de Trump a riscos para o equilíbrio multilateral.

Giro europeu e atos públicos

Durante a viagem pela Europa, Lula participou da 1ª Cúpula Brasil-Espanha com Pedro Sánchez, visitou a Hannover Messe e realizou encontros em Lisboa com Luís Montenegro e com António Costa. Em Barcelona, no Fórum Democracia Sempre, o petista intensificou as críticas a Trump diante de plateia alinhada ao seu campo.

Em Barcelona, ele elogiou a Espanha por resistir à pressão de entrar no conflito e convocou o Conselho de Segurança da ONU a encerrar confrontos, citando os cinco membros fixos. Em Hannover, criticou o bloqueio a Cuba e o histórico de invasões, defendendo participação de países em fóruns multilaterais.

Pontos-chave do discurso e desdobramentos

Lula afirmou que o mundo não pode depender de ações isoladas de Trump, destacando a necessidade de diálogo e de soluções diplomáticas. Em Lisboa, ironizou a possibilidade de premiar Trump com o Nobel da Paz como forma de encerrar guerras, o que gerou repercussões na imprensa internacional.

O tom utilizado pelo presidente brasileiro sinaliza uma estratégia de PC (posicionamento crítico) para fortalecer a imagem de liderança independente do Brasil em temas globais, sem adotar postura de alinhamento automático com os EUA.

Perspectivas e próximos passos

A agenda brasileira, econômica e diplomática, manteve-se em foco na viagem ao exterior para reforçar posições próprias. Não há confirmação pública de encontro marcado com Trump em Washington para março; a interlocução segue em aberto com possibilidade de ocorrer até julho, ou em setembro, na abertura da ONU, conforme o cenário político-electoral brasileiro.

Nos EUA, investigações sobre práticas comerciais brasileiras podem afetar a relação bilateral. Questionamentos sobre tarifas e políticas de comércio, bem como ações de retaliação, seguem como fatores que podem influenciar a campanha presidencial no Brasil e as demonstrações públicas de apoio ou resistência entre as autoridades brasileiras.

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