- A Bienal de Veneza 2026 ocorre de 9 de maio a 22 de novembro, com cem pavilhões nacionais e sete estreias, incluindo o retorno da Rússia, o que gerou atritos com a União Europeia e instituições italianas.
- A Comissão Europeia chegou a enviar aviso formal para que a instituição reconsiderasse a participação russa, sob ameaça de cortar cerca de 2 milhões de euros em financiamento.
- A reação italiana envolve a primeira-ministra Giorgia Meloni, contrária à presença russa, e o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, que chamou a ameaça de “chantagem vulgar”.
- A África do Sul teve a obra de Gabrielle Goliath cancelada para o pavilhão, que ficará vazio; a artista exibirá uma versão em vídeo fora da Bienal e acionou o ministro da Cultura em tribunal.
- Há pressão para excluir Israel, com quase duzentos signatários; o pavilhão permanece, enquanto há uma exposição paralela sobre Gaza; a curadoria da mostra principal, In Minor Keys, é apresentada de forma póstuma em memória de Koyo Kouoh.
A Bienal de Arte de Veneza, realizada de 9 de maio a 22 de novembro, segue a tradição de reunir obras de vários países sob o guarda-chuva da política. Chamada popularmente de Olimpíadas da arte, a mostra envolve pavilhões nacionais que representam cada país.
Nesta edição, há 100 participações e sete estreias: Guiné, Guiné Equatorial, Nauru, Catar, Serra Leoa, Somália e Vietnã. O retorno do pavilhão russo reacende polêmicas já vivas desde a invasão da Ucrânia em 2022, gerando atritos entre instituições italianas, UE e governo italiano.
A cidade de Veneza recebe o evento em meio a tensões políticas, com a UE sinalizando possível corte de financiamento à organização. O governo italiano tem visto críticas variadas, desde alertas de autoridades europeias até posicionamentos divergentes entre partidos.
Pavilhão russo
O retorno da Rússia, após retirada voluntária, divide opiniões. A comissária Anastasia Karneeva pertence ao círculo da Rostec, empresa estatal de defesa, elevando a discussão sobre ligações entre arte e segurança nacional. A participação é defendida por quem valoriza o espaço de diálogo da Bienal.
Pietrangelo Buttafuoco, presidente da Fundação Bienal, reforça que o evento deve permanecer aberto a todos. O posicionamento visa manter a variedade de países e perspectivas na mostra.
Reações políticas
A primeira-ministra Giorgia Meloni sinalizou contrariedade com a presença russa. O vice-primeiro-ministro Matteo Salvini chamou as ameaças de corte de recursos de chantagem, defendendo a continuidade da participação russa.
O prefeito de Veneza, Luigi Brugnaro, disse que o pavilhão russo pode ser fechado se houver propaganda, mas reiterou o compromisso com o espaço de diálogo na Bienal.
Reações de artistas e debatedores
Nadezhda Tolokonnikova, do Pussy Riot, criticou a participação russa e sugeriu que o governo italiano remova os representantes, destacando obras de prisioneiros políticos.
No que diz respeito à África do Sul, Gabrielle Goliath teve sua obra barrada após exigências do ministro da Cultura, Gayton McKenzie, que classificou a peça como divisiva. A versão em vídeo da obra deve ser exibida fora da Bienal.
África do Sul e a performance
A obra de Gabrielle Goliath prestaria homenagem à poeta palestina Hiba Abu Nada. A recusa às alterações levou a montagem a ficar vaga, sem substituição indicada pelo governo sul-africano. A artista moveu ação judicial contra o ministro da Cultura.
Austrália e controvérsias
A delegação australiana enfrentou críticas após retirar a dupla designada ao pavilhão por suspeitas de antissemitismo envolvendo Khaled Sabsabi. Com indicações contestadas, houve boicotes e renúncias, seguidas de uma revisão independente que reverteu a decisão.
Cartas de apoio e oposição
Quase 200 artistas, curadores e trabalhadores pediram a exclusão de Israel de Veneza. Uma segunda carta, com mais de 70 signatários, ampliou a demanda para incluir regimes acusados de crimes de guerra, como Rússia e EUA. O pavilhão de Israel, nos Giardini, permanece com reformas.
Exposição principal e curadoria
A exposição internacional principal, intitulada In Minor Keys, tem curadoria de Koyo Kouoh, que faleceu em 2025. A mostra reúne 111 participantes convidados, apresentando vozes marginalizadas de forma curada. A curadora foi a primeira mulher africana a liderar o projeto.
A Bienal mantém o foco em diversidade e resistência, ao mesmo tempo em que encara tensões geopolíticas que surgem quando arte e política se cruzam pública e diretamente. A programação completa está sujeita a mudanças conforme o andamento do evento.
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