- O Brasil abriu mão de lançar candidato a secretário-geral da ONU, abrindo espaço para que outros países da região disputem o cargo.
- A rotação regional informal sugeriria um novo líder latino-americano, e três dos quatro candidatos são da região: Michelle Bachelet, Rebeca Grynspan e Rafael Grossi.
- Lula, ao apoiar Bachelet, parece ter considerado que o Brasil hoje não apresenta nome forte o suficiente para a disputa.
- A ONU atual exige gestão prática e adaptação ao mundo digital, em vez de grande presença simbólica; avaliações indicam que nenhum candidato regional é visto como reformista dominante.
- O cenário futuro para nomes brasileiros é incerto, com dúvidas sobre quem, entre Dilma Rousseff, Roberto Azevêdo, Ilan Goldfajn, Marina Silva e outros, poderia agregar credibilidade internacional para a instituição.
Nos últimos 80 anos, a ONU teve apenas um secretário-geral latino-americano, o peruano Javier Pérez de Cuéllar (1982-1991). Seguindo a tradição de rotação regional, o próximo líder deve vir da América Latina, segundo o entendimento comum no organismo.
Três dos quatro candidatos ao cargo nasceram na região: Michelle Bachelet, Rebeca Grynspan e Rafael Grossi. Bachelet é ex-presidente do Chile e ex-alta comissária de Direitos Humanos. Grynspan foivice-presidente da Costa Rica e secretária-geral da UNCTAD. Grossi é diretor da IAEA.
O Brasil optou por não lançar candidato. A decisão, tomada sob a gestão de Lula, rompeu com a prática de buscar liderança global e desperdiçou uma oportunidade considerada excepcional, que pode demorar décadas para retornar.
Olhando para o cenário, o Brasil já teve diplomatas em cargos de alto nível, como Azevêdo na OMC e Bustani na OPAQ. Ainda assim, a aposta atual não envolve nome brasileiro para a vaga de secretário-geral da ONU.
Entre os favoritos, Bachelet enfrenta resistência de EUA e China por questões de aborto e direitos de minorias muçulmanas na China. Grynspan é vista como candidata com perfil técnico, mas com forte vínculo institucional. O argentino Grossi tem perfil técnico-estrutural.
A análise aponta que a ONU não busca apenas peso político, mas gestão eficaz para adaptar a organização ao mundo digital. A escolha pode recair sobre quem demonstre capacidade de liderança prática e capacidade de articulação política.
Alguns nomes que vinham sendo citados como possíveis substitutos para o Brasil aparecem fora do radar atual. Dilma Rousseff, Roberto Azevêdo, Ilan Goldfajn e Marina Silva são mencionados, mas enfrentam desafios de idade, vínculo político ou aceitação internacional.
A situação revela um vazio de liderança global no Brasil há anos. A centralidade de Lula na política nacional reduz o espaço para emergirem sucessores com projeção externa autônoma e experiência diplomática própria.
Independentemente do resultado de candidaturas na ONU, o panorama evidencia necessidade de renovação no Itamaraty e de construção de liderança internacional com protagonismo próprio, sem dependência exclusiva de figuras carismáticas nacionais.
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