- A China divulgou um vídeo que sugere a existência de um quarto porta-aviões, possivelmente movido a energia nuclear, além de ampliar as ilhas artificiais.
- O vídeo, intitulado Into the Deep, foi lançado na véspera do 77º aniversário da fundação da Marinha do Exército de Libertação Popular e mostra oficiais com nomes homófonos dos porta-aviões Liaoning, Shandong e Fujian.
- O recruta fictício de 19 anos, chamado He Jian, alimenta especulações de que o vídeo aponta para um porta-aviões nuclear; a numeração sugere continuidade com os números de casco atuais (16, 17 e 18).
- O Ministério da Defesa da China não comentou; Pequim segue investindo em uma marinha de águas profundas para projetar poder e sustentar reivindicações territoriais, inclusive em relação a Taiwan.
- Separadamente, o Ministério de Recursos Naturais pediu ampliar a proteção de mais de onze mil ilhas reivindicadas pela China, com ilhas artificiais, bases e pistas de pouso em disputas com outras nações.
O Ministério da Defesa da China divulgou um vídeo que sugere a existência de um porta-aviões chinês, potencialmente o quarto da frota e o primeiro movido a energia nuclear. O material foi publicado na véspera do 77º aniversário da fundação da Marinha do Exército de Libertação Popular e vem acompanhado de promessas de ampliar as ilhas reivindicadas pelo país. A gravação mostra oficiais com nomes que soam como os dos porta-aviões já comissionados: Liaoning, Shandong e Fujian, em tom ficcional.
No vídeo intitulado Into the Deep, um jovem de 19 anos, identificado como He Jian, ingressa ao grupo, alimentando a especulação de que a nova embarcação seria movida a energia nuclear, pela sonoridade de seu nome em mandarim. Os atuais navios de carreira chinesa são movidos por energia convencional e possuem cascos com números 16, 17 e 18. A idade do recrutado sustenta a hipótese de continuidade nessa sequência.
O Ministério da Defesa da China não respondeu imediatamente a pedidos de comentário sobre o vídeo divulgado na quarta-feira. Pequim tem investido bilhões para ampliar uma marinha de águas profundas, capaz de projetar poder além de suas costas, objetivo que ganhou destaque desde a liderança de Xi Jinping em 2012.
Ampliação de ilhas
O Ministério de Recursos Naturais publicou um artigo no jornal oficial People’s Daily defendendo esforços para proteger mais de 11 mil ilhas reivindicadas pela China. A maior parte está a menos de 100 km da costa, com quase 60% no Mar da China Oriental, cerca de 30% no Mar do Sul da China e o restante nos mares de Bohai e Amarelo, conforme dados oficiais de 2018.
Ao longo dos anos, Pequim criou ilhas artificiais com pistas de pouso e infraestrutura militar em áreas disputadas do Mar do Sul da China, por meio de grandes projetos de recuperação de terras. Em setembro, a China declarou uma reserva natural nacional no Banco de Scarborough para reforçar a reivindicação sobre o atol.
Segundo analistas, as instalações em bases em ilhas artificiais permitiram patrulhas diárias de embarcações de fiscalização, da marinha e de milícias, em distâncias de até 1.000 milhas náuticas da costa chinesa. A presença nestas águas não impediu visitas de autoridades de Taiwan à ilha Itu Aba, controlada por Taipei, que possui infraestrutura para reabastecimento militar.
Exercícios militares regionais realizados por Filipinas, Estados Unidos e parceiros ocorreram nesta semana em todo o arquipélago, evidenciando coordenação regional diante das reivindicações chinesas. Observadores apontam que a China enfrenta retornos decrescentes na região, com projetos de energia, reabastecimento e construção desafiando as restrições anteriores.
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