- Wendy Sherman afirma que a situação atual com o Irã é mais difícil, arriscada e mal avaliada, com o regime mais hardline e maior controle do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
- Segundo ela, um acordo poderia envolver a suspensão do enriquecimento de urânio por anos, monitorado pela Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), com limitações no programa de mísseis e possivelmente nos proxies.
- Sherman destaca que o Estreito de Hormuz pode continuar sob controle iraniano, mesmo que seja temporariamente aberto, e que seguradoras consideram o tráfego de navios inseguro.
- A visão de aliados e parceiros mudou: há sinais de que Canadá, Reino Unido e outros buscam opções com a China, e as alianças dos EUA ficaram mais frágeis diante da escalada.
- Em relação aos interlocutores iranianos, ela enfatiza que a confiança não define a negociação; houve ligação humana, mas as negociações exigem verificação rigorosa e participação internacional para serem bem-sucedidas.
Wendy Sherman, ex-deputada de Estado dos EUA e arquitetA do acordo nuclear de 2015, diz que a situação atual com o Irã é mais difícil, arriscada e mal avaliada estrategicamente. Em entrevista, ela analisa o impasse, a história iraniana e as dificuldades de negociar com o regime.
Segundo Sherman, compreender a cultura, a história e a política do Irã é essencial. Ela aponta que o país adota uma “cultura de resistência” que difere das sensibilidades ocidentais, influenciando as negociações sobre nuclear, mísseis e apoio a grupos na região.
A ex-funcionária avaliou o aperto de 2020 até hoje como mais rígido, com maior controle do IRGC. Ela afirma que concessões esperadas pelo presidente dos EUA enfrentariam resistência iraniana, incluindo o direito de enriquecer urânio e ligações com aliados e proxies.
Sherman explica que as negociações exigem detalhes factuais, principalmente em temas de armas, energias e proxies. Mesmo com tensionamentos, ela reforça que o objetivo sempre foi um acordo sustentável, verificado pela AIEA.
Ela comenta o cenário geopolítico: o estreito de Hormuz, o papel da China e as consequências para aliados europeus. Segundo a ex-diplomata, aliados têm buscado cooperação com Pequim diante da percepção de menor confiabilidade dos EUA.
Sobre a possibilidade de uso de força, Sherman afirma que margens de pressão devem ser credíveis, mas critica a falta de uma estratégia ampla na gestão do conflito. Ela cita custos humanos e financeiros já gerados pelos anos de tensão.
Em relação ao futuro, Sherman sustenta que o Irã pode aceitar suspensão de parte de seu enriquecimento por anos, sob monitoramento da AIEA. O acordo exigiria rigidez na verificação e potencial contenção de mísseis e de redes de proxies.
A entrevistada também aborda a importância de cooperação internacional, alertando que sair do consensos com aliados fragiliza a posição dos EUA. Ela lembra que, no passado, houve um canal secreto com o Irã, mas que, hoje, relações abertas foram rompidas.
Sobre o papel de lideranças externas, Sherman cita a China como beneficiária indireta da instabilidade e aponta riscos para o uso de ferramentas de competição tecnológica e militar no cenário global.
Ela comenta ainda a situação no Oriente Médio, destacando que Gaza sofreu danos graves e que Israel tem o direito à segurança, ao mesmo tempo em que a comunidade internacional deve buscar soluções que preservem vidas civis.
Questionada sobre o impacto pessoal, Sherman afirma sentir-se mais preocupada com o futuro da educação, da tecnologia e da influência da IA na geopolítica, refletindo sobre o custo humano da guerra para as novas gerações.
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