- A Lufthansa anunciou o cancelamento de vinte mil voos entre maio e outubro para economizar combustível, com redução estimada de cerca de quarenta mil toneladas métricas de querosene e preço que dobrou desde o início do conflito com o Irã.
- A KLM já cancelou cento e sessenta voos para o próximo mês; outras companhias na Europa e Ásia-Pacífico sinalizam reajustes de preço e novos cancelamentos à medida que o verão se aproxima.
- A Agência Internacional de Energia alertou que a Europa tem reservas de combustível de aviação para apenas seis semanas; o Comissário Europeu de Energia destacou a crise de abastecimento como possibilidade real.
- A União Europeia discute medidas para gerenciar estoques coletivos de combustível de aviação e, se necessário, permitir aquisição adicional de combustível dos EUA para manter o tráfego.
- O fechamento do Estreito de Ormuz continua impactando fluxos globais de gás e petróleo, deixando o setor mais vulnerável e elevando o custo do combustível de aviação, com possibilidade de mais cancelamentos e reajustes de tarifas.
A crise no Irã começa a impactar o mercado de aviação mundial. Com o Estreito de Ormuz fechado, o abastecimento de combustível de aviação fica ameaçado, elevando preços e gerando cancelamentos em massa. A situação afeta principalmente Europa e Ásia.
A Lufthansa anunciou, nesta terça-feira, o cancelamento de 20 mil voos entre maio e outubro, para economizar combustível. A medida deve reduzir o consumo em cerca de 40 mil toneladas métricas de querosene, cujo preço dobrou desde o início do conflito.
A KLM já cancelou 160 voos para o próximo mês. Outras companhias da região, bem como da Ásia-Pacífico, avaliam ajustes de tarifas e cortes de rotas à medida que o período de férias de verão se aproxima.
Panorama internacional
Fatih Birol, diretor executivo da AIE, afirmou à CNBC que a Europa tem reservas de combustível de aviação para apenas seis semanas. Ele disse que o mundo enfrenta a maior ameaça à segurança energética da história.
Dan Jorgensen, comissário europeu de Energia, informou que a situação pode evoluir de crise de preços para crise de abastecimento. Membros da UE estudam compartilhar estoques para manter o tráfego.
O fechamento do Estreito de Ormuz interrompe fluxos globais de gás e petróleo. O setor aéreo europeu é particularmente sensível, pois grande parte do querosene utilizado vem do Oriente Médio.
Medidas e perspectivas da UE
O governo holandês estimou que a UE tem combustível suficiente para cinco meses, mesmo com a dependência de importações. A UE produz 60% a 70% do seu combustível de aviação; o restante é importado, com parte transitando por Ormuz.
Ministros dos Transportes da UE discutem gestão coletiva de reservas de combustível e distribuição entre estados. O bloco avalia também permitir compras adicionais de EUA para mitigar impactos.
Especialistas divergem sobre a rapidez da exaustão de estoques. Alguns veem risco real de cortes adicionais e altas de preços; outros consideram que muitas rotas têm alternativas suficientes para compensar.
O que esperar
Analistas indicam que, mesmo sem esgotar o abastecimento, os preços devem permanecer elevados. Planos de emergência devem intensificar reduções de consumo e mais cancelamentos, diante de um cenário de Ormuz fechado.
A indústria aérea tem buscado acelerar o uso de SAF, mas o oferta é limitada. Reguladores e empresas avaliam estratégias para manter a conectividade, com foco em resiliência e custos para passageiros.
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