- A crise no estreito de Hormuz provocou perda de aproximadamente dez por cento do fornecimento mundial de petróleo e de vinte por cento do gás natural liquefeito global no mês passado, segundo a Agência Internacional de Energia.
- Navios-tanque passaram a desviar rotas ao redor do Cabo da Boa Esperança, elevando distâncias e custos, com prêmios de seguro de guerra aumentando para embarcações no Oriente Médio.
- Empresas revisam estratégias para proteger receitas, com aumento de estoques, reshoring (produção mais perto do mercado) e nearshoring (fornecedores próximos), especialmente na Europa.
- O aumento dos preços de energia e commodities já impacta previsões de inflação e pode levar meses até o pleno reajuste das cadeias de suprimento, segundo especialistas.
- O risco geopolítico passa a ser prioridade para cerca de dois terços das empresas pesquisadas, com foco em flexibilidade, parcerias estratégicas e diversificação de fornecedores para reduzir vulnerabilidades.
O bloqueio no estreito de Ormuz e a escalada do conflito envolvendo o Irã podem impactar o comércio global de forma mais relevante do que se esperava durante a pandemia. A interrupção de fornecimento de petróleo, gás e fertilizantes promete rever padrões já expostos por choques anteriores.
Especialistas destacam que a crise atual atinge a oferta, não apenas a demanda. A Agência Internacional de Energia aponta perda de cerca de 10% do petróleo global e 20% do gás natural liquefeito no mês anterior, o que não ocorria desde o início do mercado moderno de energia.
Choque de oferta e mudanças logísticas
Durante a pandemia houve choque de demanda e mudanças nas cadeias de suprimentos, com pesados custos de energia. Agora, o choque é de oferta, impactando principalmente energia e commodities, segundo analistas. Navios que passavam por Ormuz desviam para o Cabo da Boa Esperança, aumentando viagens e custos.
A prática de seguros contra riscos de guerra disparou, elevando custos de frete. Empresas de transporte readequam rotas, buscando reduzir exposições a interrupções geopolíticas, o que já se reflete no preço de bens energéticos e químicos.
Impactos previstos e respostas empresariais
Estudos apontam que quase dois terços das empresas temem novas interrupções e maior preço de energia, com 6 mil companhias em 13 países participando da Allianz Trade Global Survey 2026. A pesquisa mostra impulso ao reshoring e nearshoring para reduzir dependência de um único polo.
A lógica de produção próxima aos mercados consumidores ganha força, especialmente na Europa. Analistas destacam a necessidade de maior resiliência, com estoques de segurança aumentando ao longo dos últimos três anos. A ideia é evitar gargalos diante de tensões geopolíticas.
Geopolítica como fator estratégico
O risco geopolítico, incluindo guerras e tarifas, passa a ser visto como fator estratégico por empresas. Há interesse crescente em diversificar cadeias para Países como Índia, Indonésia, Vietnã e Malásia, além de explorar a Europa como destino de manufatura.
Especialistas ressaltam que a disrupção ainda está se propagando pelas redes de suprimentos multiníveis e pode levar meses para que haja estabilização após eventual reabertura de vias. A situação permanece sujeita a evoluções políticas e militares.
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