- Entre março e abril, o conflito entre Israel e Hezbollah avançou no Líbano, deixando quase 2,5 mil mortos, 7 mil feridos e 1,2 milhão de deslocados; o cessar-fogo entrou em vigor em 17 de abril.
- Ao menos 13,5 mil gestantes estão entre os deslocados ou vivendo sob condições extremas, e a ONU estima que pelo menos 1.500 mulheres devem dar à luz no próximo mês.
- O acesso a cuidados maternos piora à medida que unidades de saúde são danificadas, com mais de 51 centros de atenção primária fechados e serviços de obstetrícia fortemente impactados.
- No sul do país, cerca de 1.700 gestantes estão entre aproximadamente 150 mil pessoas isoladas, com unidades médicas móveis levando atendimento básico e kits de saúde reprodutiva.
- O apelo emergencial da ONU para março a maio buscava 12 milhões de dólares para atender 225 mil pessoas, mas a verba recebida até agora foi insuficiente e a necessidade persiste.
O conflito no Líbano agravou a situação de milhares de gestantes, com deslocamentos forçados e um sistema de saúde sob pressão extrema. Ao menos 13,5 mil mulheres grávidas enfrentam condições precárias após deixarem suas casas em meio aos ataques entre Israel e o Hezbollah.
Nour, libanesa de 32 anos, fugiu de Beirute grávida de quatro meses e relata noites de bombardeio. Ela vive hoje em abrigos coletivos, onde a privação de privacidade e o saneamento precário elevam os riscos à saúde materna.
O que aconteceu
A ofensiva entre Israel e o Hezbollah começou após o ataque que matou o líder iraniano, em março. A resposta com ataques aéreos e terrestres resultou em milhares de mortes, feridos e deslocados, segundo autoridades locais.
Quem está envolvido
Entre as pessoas afetadas estão cerca de 13,5 mil gestantes e dezenas de milhares de crianças. Organizações humanitárias, como o UNFPA e a OMS, monitoram o impacto no acesso a serviços de saúde.
Quando e onde
O deslocamento se intensificou desde março, com reflexos em todo o Líbano, incluindo Beirute e o sul do país, onde o acesso a unidades médicas está severamente restrito.
Por quê
A deterioração do sistema de saúde, danos a unidades de atendimento e a sobrecarga de recursos tornam o acesso a cuidados obstétricos cada vez mais difícil para gestantes, especialmente as que vivem em abrigos.
Desdobramentos e dados-chave
O UNFPA estima que cerca de 1,5 mil mulheres devem dar à luz no próximo mês. Várias unidades de atenção primária fecharam ou reduziram serviços, conforme a OMS. Hospitais em funcionamento enfrentam dificuldades para manter suprimentos.
Hospitais privados concentram boa parte do atendimento, enquanto instituições públicas e ONGs tentam atender a populações de baixa renda. O acesso costuma depender de custo, localização e redes de apoio.
Situação no sul e resposta humanitária
Quase 1.700 gestantes estão entre as cerca de 150 mil pessoas isoladas no sul. Unidades móveis e distribuição de kits de saúde reprodutiva ajudam onde há segurança, mas a resposta é insuficiente para a demanda.
O apelo emergencial da ONU, de 12 milhões de dólares para março a maio, ainda não recebeu o montante esperado. A escassez de recursos complica a assistência a 225 mil pessoas, segundo o UNFPA.
Contexto histórico de saúde
Antes do conflito atual, o sistema de saúde já enfrentava pressões, com influxos de refugiados sírios e crises econômicas. A visão estratégica nacional de saúde, lançada em 2023, não eliminou vulnerabilidades estruturais.
Análise de especialistas
Profissionais destacam que o acesso a serviços obstétricos se tornou mais difícil conforme a crise se estende. A distribuição desigual de serviços aumenta as barreiras para gestantes, especialmente em áreas com infraestrutura comprometida.
Casos individuais
Yara, 28 anos, está com 33 semanas de gestação e teme não conseguir parto seguro em hospital público. Ela expressa o desejo por um ambiente estável para receber o bebê sem ruído de explosões.
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