- Exposição Forget Me Not: South Lebanon in Memory and Motion, em Londres, usa materiais de arquivo de 2000 para relembrar a retirada de Israel do sul do Líbano e os impactos na região.
- Os curadores Rasha Kotaiche e Ali Abou Khalil dizem que a mostra busca recontar a história do sul, destacando resiliência, migração e uma visão (narrativa) construída pelo povo da região.
- Um vídeo de Nor Nsralla, intitulado What Remains, apresenta relatos de moradores do sul sobre a última invasão de Israel em outubro de 2024, com forte vínculo à terra retratado em depoimentos como “somos presos a este chão”.
- O sul do Líbano é descrito como área historicamente negligenciada pelo Estado, marcada por ocupação e conflitos que contribuíram para radicalização e para a criação do movimento Hezbollah em 1982.
- Enquanto diplomatas discutem um cessar-fogo provisório entre Israel e Líbano, o sul continua exposto a violações e à possibilidade de novos conflitos, conforme a visão expressa na mostra, que permanece em cartaz até 8 de abril de 2026.
O relatório inaugural da exposição Forget Me Not: South Lebanon in Memory and Motion chega a Londres para revelar histórias do sul do Líbano. Instalado na Palestine House, o projeto reúne vídeos, fotografias e documentos para situar a resistência da população sulista frente a décadas de conflito e negligência estatal.
A mostra faz uso de um vídeo antigo de 2000, que registra a retirada israelense após 18 anos de ocupação. Em outras áreas, há recortes de jornais da época, como reportagens do Guardian e da Times sobre os eventos daquele período. A curadoria permanece ligada à memória local e aos laços da diáspora.
Contexto histórico
A curadora Rasha Kotaiche e o co-curador Ali Abou Khalil, ambos com raízes no sul, destacam como essa região foi moldada por intervenções externas, ocupações e negligência estatal. O sul historicamente recebeu menos investimentos que Beirut e o monte Lebanon, mantendo-se rural e vulnerável a invasões israelenses.
A exposição enfatiza a história de resistência, organização social e a formação de uma cultura política marcada pela autossuficiência. O projeto também aborda migratórias, gerando um diálogo entre gerações e entre a terra e seus habitantes.
Memória e identidade
Entre as peças, um vídeo intitulado What Remains apresenta relatos de moradores do sul que viveram a última invasão de outubro de 2024. O material reforça o vínculo afetivo com a terra e a memória coletiva de disputas regionais que se repetem ao longo de décadas.
Fotografias e trabalhos de crianças estão distribuídos pela mostra, incluindo desenhos de alunos libaneses que celebram a independência do país. A atmosfera remete às paisagens de Bint Jbeil, Naqoura e Tyre, que aparecem nas imagens da exposição.
Desdobramentos recentes
O texto contextualiza episódios de violência que marcaram o sul desde os anos 70 e 80, ressaltando a percepção de falha do Estado em proteger a população. A narrativa aponta a emergência de movimentos locais, entre eles o Hezbollah, como resposta a esse vácuo de proteção estatal.
A cerimônia de fim de guerra e os acordos de cessar-fogo de 2024 não resultaram em estabilização completa. Relatórios da UN indicam violações de cessar-fogo cometidas principalmente por forças israelenses, mantendo a população sulista exposta a novos conflitos.
Perspectiva do público
A curadoria explica que Forget Me Not tem como objetivo educar a comunidade sobre a história, a beleza e a resiliência do sul do Líbano, ao mesmo tempo em que propõe uma reinterpretação dos relatos dominantes sobre a região. A mostra permanece aberta em Londres até 8 de abril de 2026.
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